O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta sexta-feira, em Coimbra, que, na sociedade portuguesa, há força bastante para "rechaçar e combater" os projetos antidemocráticos e de extrema direita.

Jerónimo de Sousa mostrou confiança de que projetos de extrema-direita "não passarão", mas alertou que certos setores semeiam "a descrença e desilusão na política em geral", desacreditam o regime democrático e, "de forma cada vez mais audaz, promovem [projetos antidemocráticos]" e, "com todo o despudor, trabalham para os naturalizar e normalizar".

Durante o discurso num jantar regional do partido, o secretário-geral comunista afirmou que o PCP tem sido alvo de uma "campanha interna de manipulação, mentira e difamação", mas, assegurou, nada "intimidará ou condicionará" o partido.

O que certos setores não perdoam ao PCP é o papel determinante que assumiu para pôr fim a um Governo de desastre nacional e ao seu projeto de empobrecimento e de ruína do povo e do país", vincou Jerónimo de Sousa, que apontou ainda para "certos setores dos grandes interesses económicos", que não aceitam o papel dos comunistas na "defesa, reposição e conquista de direitos e rendimentos"

Segundo Jerónimo de Sousa, "o que certos setores temem e querem, com a intriga e a calúnia, é dificultar e inviabilizar a possibilidade do reforço do PCP e do seu papel, impedindo a construção de uma verdadeira alternativa para servir o povo e o país".

Quanto a nós, saibam: Não abdicamos de estar do lado certo, do lado dos trabalhadores, do povo, dos injustiçados, sempre mas sempre à procura de um futuro melhor para Portugal e para os portugueses", salientou o dirigente comunista, que falava durante uma intervenção num jantar regional do partido em Lamarosa, Coimbra, onde também participou o primeiro candidato da lista da CDU às eleições do Parlamento Europeu, João Ferreira.

"Máscara de hipocrisia"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou também PSD e CDS-PP por usarem uma "máscara da hipocrisia" quando abordam diversos problemas do país, como é o caso da saúde e dos CTT.

Temo-los visto a afivelar, sem o mínimo decoro, a máscara da hipocrisia, rasgando as vestes da falsa indignação em relação aos mais diversos problemas do país. Quem os ouve até parecem uns santos", afirmou Jerónimo de Sousa, que falava durante uma intervenção num jantar regional em Lamarosa, Coimbra.

Para Jerónimo de Sousa, nos últimos tempos, tem-se assistido "a uma frenética e escandalosa operação de retoque e limpeza de fachada da parte dos partidos da coligação PSD/CDS derrotados em 2015".

Para isso, o secretário-geral do PCP apontou para dois casos muito concretos: saúde e CTT.

No setor da saúde, o dirigente comunista recordou que estes dois partidos afirmam "que o Estado falhou em toda a linha" e que se mostram "muito solidários com os profissionais de saúde na luta".

No entanto, foram esses mesmos dois partidos, vincou, que foram "os grandes responsáveis por uma redução da despesa pública em saúde relativamente ao PIB de 9,9% em 2010, para 9% em 2015" e que reduziram as remunerações dos profissionais de saúde no setor público "em mais de 2.500 milhões de euros".

Fizeram o mal e agora fazem a caramunha", notou.

Também no caso dos CTT, Jerónimo de Sousa considerou que "a duplicidade e o fingimento [destes partidos] é tal, que até o fecho de estações de correios - resultado da trágica privatização dos CTT - é pretexto para lavagens de responsabilidade".

Perante o desastre do fecho de dezenas de estações de correios em 2018 e o seu previsível desaparecimento em 48 municípios do país, ei-los a fazerem intempestivas declarações de amor ao serviço público postal e universal", protestou.

"Lágrimas de crocodilo"

Jerónimo de Sousa referiu que "basta de demagogia".

Estão a chorar aí lágrimas de crocodilo? Porque é que privatizaram os CTT? Estão sempre a encher a boca com o combate às assimetrias, às regiões do interior. Ora aqui está: estão a fechar estações em 30 e tal concelhos com o risco de chegar aos 48. Depois vêm com um ar desgraçado, choroso, a dizer vejam lá o que estão a fazer aos correios", observou o líder do PCP, num jantar que contou também com a intervenção do primeiro candidato da lista da CDU às eleições do Parlamento Europeu.

Do PSD e CDS, só há a esperar retrocesso social e económico, liquidação de direitos, saque de salários e rendimentos, e da parte do PS o que se sabe poder contar é com as mesmas opções que têm impedindo a resposta plena aos problemas", disse.

Durante a sua intervenção, Jerónimo de Sousa frisou ainda que os avanços conseguidos nesta legislatura foram alcançados pela "simples e objetiva" razão de que o Governo minoritário do PS não teve "as mãos completamente livres para impor a sua vontade".