O secretário-geral do PCP não entende que haja partidos da oposição incomodados com a moção de censura ao Governo dos comunistas, considerando que provam assim apoiar a política do Executivo.

Jerónimo de Sousa falava no final de um «desfile-comício» nesta quinta-feira, em Lisboa, uma das iniciativas com que esta semana o PCP quis levar «a moção de censura à rua», antes de ser debatida na Assembleia da República na próxima segunda-feira.

O líder comunista recordou, citado pela Lusa, que é uma moção de censura à política em curso e «ao Governo que a executa». «Não entendemos que qualquer força da oposição na AR se sinta incomodada, se sinta em cima do muro, demonstrando afinal (...) que no essencial apoia esta política e também, naturalmente, este Governo que a executa», acrescentou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do Partido Comunista Português fez esta declaração sem se referir diretamente ao PS, partido que anunciou hoje que optará pela abstenção na votação da moção apresentada pelos comunistas, alegando que está contra uma crise política, mas que também é oposição ao Executivo.

Na sua intervenção no final do desfile comunista pelas ruas do Carmo e Garrett, Jerónimo de Sousa apelou ao não conformismo e à não resignação dos portugueses «à inevitabilidade de um rumo de afundamento» ditado pelo acordo de ajuda externa assinado por PS, PSD e CDS e pela política do Governo neste último ano, «a pretexto da crise».

O líder comunista sublinhou que a moção de censura ao Governo é «antes de mais» a «expressão e sequência» da «luta dos trabalhadores e do povo», que se tem manifestado em «grande contestação».

Jerónimo de Sousa criticou a generalidade das políticas do Governo, considerando que têm levado a «níveis inaceitáveis de desemprego» e «à ruína de milhares de pequenos empresários», tendo os primeiros 12 meses de Governo PSD/CDS sido «um ano dramático para milhões de portugueses».

Para o PCP, foi porém um ano que «serviu» a banca, que se viu recapitalizada com «milhares de milhões de euros».

A moção de censura ao Governo é, pois, afirmou, uma «exigência de rutura» com a política adotada pelo Executivo de Passos Coelho, que é, no fundo, considerou, a mesma «política de direita» que há décadas seguem em Portugal PSD, CDS e PS.