O secretário-geral do PCP considerou esta quarta-feira “chocante” que o antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro recuse regressar a Portugal para cumprir a sentença de três anos e seis meses a que foi condenado.

No final de uma declaração sobre as conclusões da reunião do Comité Central do PCP, que decorreu na terça-feira, na sede do partido, em Lisboa, Jerónimo de Sousa criticou a “tolerância em relação aos banqueiros”, que permitiu que João Rendeiro pudesse “dar o salto” para uma “parte qualquer do mundo”, em vez de cumprir a pena a que foi sentenciado.

É chocante e é por estas e por outras que, muitas vezes, se dá corpo a ideias e conceções retrógradas e reacionárias, tendo em conta a capitalização que fazem de um problema que não devia ter existido”, acrescentou.

O dirigente comunista disse que este caso em concreto evidencia “a dimensão conhecida dos desmandos dos banqueiros e a impunidade de que eles beneficiam”, quando “muitos e muitos portugueses” vivem com “as dificuldades que são conhecidas”.

Como é que isto é possível? Que raio de tratamento é este que sempre discrimina os mais vulneráveis e tem, digamos, um posicionamento perante os poderosos que é de facto inaceitável. Mas… Enfim, a justiça é a justiça”, finalizou.

O ex-presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro, condenado na terça-feira a prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada, diz que não pretende regressar a Portugal por se sentir injustiçado e vai recorrer a instâncias internacionais.

Num artigo publicado no seu blogue Arma Crítica, João Rendeiro revela que já pediu ao advogado para comunicar a decisão à justiça portuguesa e diz que se tornou “bode expiatório de uma vontade de punir os que, afinal, não foram punidos”.

É uma opção difícil, tomada após profunda reflexão. Solicitei aos meus advogados que a comunicassem aos processos e quero por esta via tornar essa decisão pública”, escreve.

O ex-presidente do BPP, que na terça-feira foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada, lembra que já num outro processo em que tinha sido condenado a pena suspensa por falsificação de documentos e falsidade informática o Tribunal da Relação acabou por tomar uma “decisão inesperada” ao reverter a pena para oito anos de prisão efetiva.

Na origem deste julgamento está a queixa do embaixador jubilado Júlio Mascarenhas que, em 2008, investiu 250 mil euros em obrigações do BPP, poucos meses antes de ser público que a instituição liderada por João Rendeiro estava numa situação grave.

Também neste processo estavam acusados os ex-administradores Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital. O primeiro foi condenado a três anos de prisão e o segundo a dois anos e seis meses de prisão.

O tribunal decidiu que os ex-gestores do BPP terão ainda de pagar 225 mil euros por danos patrimoniais e 10 mil euros por danos morais a Júlio Mascarenhas.

Agência Lusa / NM