O secretário-geral do PCP afirmou este domingo que “não se pode comparar o que não é comparável”, numa resposta a António Costa que pediu “um PS forte” para evitar que o país caia num “impasse à espanhola”.

Não se pode comparar o que não é comparável. Depois, estas eleições não são para primeiro-ministro, são para eleger os deputados. Não confundamos as coisas e o português ainda não decidiu”, disse Jerónimo de Sousa, que respondia a jornalistas após apresentar no Porto 30 medidas urgentes que o PCP e a CDU pretendem defender na Assembleia da República.

Numa entrevista difundida este domingo pela agência Lusa, o primeiro-ministro e secretário-geral socialista, António Costa, advertiu que Portugal poderá cair numa "situação de impasse à espanhola" caso não saia "um PS forte" das eleições de 6 de outubro, ficando assim comprometida a estabilidade necessária à prossecução das políticas seguidas na atual legislatura.

Também em resposta aos jornalistas sobre os contributos para a atual estabilidade governativa e depois de se queixar de “tanta promoção do Bloco”, Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP “não quis fazer nenhuma concorrência” àquele partido na legislatura a terminar, sublinhando mesmo que as duas forças políticas “convergiram muitas vezes”.

Mas, disse, “a vida fala por si e nestes quatro anos, num quadro em que existiam relações bilaterais, com o Governo” - e não com o partido coordenado por Catarina Martins - “há que reconhecer o valor intrínseco das propostas [do PCP], pela sua fundamentação, pela persistência [na sua defesa]”.

“Ouvimos muitas vezes um ‘não’ que, passado meses, acabou por se transformar num ‘sim’ por essa persistência e determinação. Não quero aqui fazer comparações com o Bloco, aquilo que podemos afirmar é que, de uma forma determinada, de uma forma séria e fundamentada, conseguimos avanços, conseguimos conquistas que num primeiro embate pareciam impossíveis de alcançar”.

O PCP apresentou em junho o seu programa eleitoral, destacando este domingo, na sessão do Porto, um conjunto de 30 medidas “urgentes e muito concretas”.

A lista é encabeçada pelo “significativo aumento do salário médio” e a subida do Salário Mínimo Nacional para 850 euros.

Temos a consciência de que vai ser determinante para esse objetivo a luta dos trabalhadores. É uma batalha de grande fôlego, mas é justo, necessário e possível um aumento significativo do Salário Mínimo Nacional”, declarou.