Jerónimo de Sousa desafiou António Costa a dizer se quer convergir com os comunistas em matérias como valorização dos serviços públicos e teve como resposta o apelo para uma negociação do Orçamento “sem espalhafato”.

O secretário-geral do PCP explicou que a decisão do partido – de se abster na votação do OE2021 na generalidade – visa permitir o confronto entre os problemas nacionais, para que se encontrem as soluções adequadas para os resolver e criticou o Governo por se recusar constantemente a remar nesse sentido.

De nada serve dizer que este é um Orçamento com forte carga social ou de apoio à economia, se estão ausentes, ou são insuficientes, medidas que deem expressão concreta a esses objetivos”.

O líder comunista deu o exemplo, do aumento geral dos salários à valorização da proteção social, do aumento do subsídio de desemprego ao alívio da “maior fiscal”.

O PS tem que clarificar se é com o PCP que quer convergir, ou se são outros os objetivos e as convergências”, afirmou.

 

Num momento em que se agravam todos os problemas económicos e sociais, e quando é preciso intervir para contrariar esse rumo, como pode o Governo continuar a dar prioridade à redução do défice e não ás necessidades do país e a um crescimento mais robusto da economia e do emprego?”.

Na resposta, António Costa admitiu que, no debate na especialidade, nem o PS nem o Governo “vai convergir com tudo”, até porque, se isso acontecesse: “um de nós estaria na bancada errada”.

Recordou que, a exemplo do que aconteceu “ao longo dos últimos anos” em que “foi sempre possível fazer trabalho sério, sem espalhafato, para encontrar respostas”, agora antecipar que se continue a “trabalhar com a mesma seriedade e determinação” neste orçamento.

Estas foram áreas a que o chefe do Governo não deu resposta, nos cerca de seis minutos de frente-a-frente com o secretário-geral comunista.

Para Costa, e dizendo que não está a “fazer chantagem” sobre ninguém, a “questão política de fundo” é a opção de recusar um bloco central com o PSD.

Eu já deixei claro, que sem ser chantagem, nós não queremos fazer nenhum bloco central. Temos, aliás, uma vantagem: nem o PS quer, nem o PSD quer nenhum bloco central. Aquilo que queremos é dar continuidade à nova situação política que emergiu das eleições de 2015 e que nos tem permitido, desde novembro até hoje, orçamento a orçamento, medida a medida, procurar entender e encontrar pontos de vista convergentes para resolver os problemas concretos do nosso país e dos nossos cidadãos”, disse. 

A intervenção de Jerónimo de Sousa ficou ainda marcada por um aparte parlamentar.

O secretário-geral iniciou a sua intervenção com a afirmação de que o Orçamento "não dá resposta aos problemas do país e dos portugueses" e ouviu umas risadas vindas das bancadas da direita (PSD e CDS) e respondeu: "Está a achar graça? Olhe que eu não estou a achar graça nenhuma."

Cláudia Évora .