O líder do PCP admitiu na segunda-feira que o “esforço de aproximação” do Governo nas propostas comunistas para o Orçamento do Estado “não chega” para o viabilizar, mas prometeu continuar a falar com os socialistas “sem birras”.

Jerónimo de Sousa, entrevistado do programa Polígrafo, da SIC-Notícias, poucas horas depois de ter sido entregue o Orçamento do Estado de 2021 (OE2021), não revelou como vai votar o partido, manteve todas as opções em aberto e lembrou que há várias fases para discutir o orçamento, como o debate na generalidade e especialidade, na Assembleia da República.

“Não, não é ‘nim’, nem sim nem não”, insistiu Jerónimo, questionado sobre o sentido de voto, sobre se podia dizer, como fez Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, que, tal como está, não tinha condições para viabilizar o orçamento.

Pondo de parte “estilos”, porque “cada qual é como cada um”, o líder comunista repetiu que o partido só decidirá “perante os conteúdos concretos” e que está disposto a trabalhar sobre esta proposta, “não procurando fazer qualquer birra, mas com objetividade e profundidade” para “analisar o que lá está e lá faz falta”.

Aquilo que já sobe sobre a resposta dada pelo Governo às propostas dos comunistas para o Orçamento “não chega”, afirmou “claramente insuficiente”, dando como exemplos os aumentos das reformas e pensões, o não alargamento do subsídio de desemprego a mais trabalhadores.

"Não chega", justificou, “por que não corresponde aos objetivos centrais” colocados pelo PCP.

“Houve um esforço de aproximação, mas claramente insuficiente em muitas matérias, como quanto aos lares, creches ou na proteção aqueles que perderam tudo”, disse.

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