Jerónimo de Sousa acusou o Governo de "não dar respostas" aos problemas do país, e de estar tudo “na mesma” passada a votação na generalidade do Orçamento do Estado.

À saída da reunião com o Presidente da República, o deputado numerou os vários problemas pelos quais o PCP batalhou aquando das negociações do Orçamento do Estado, como a subida do salário mínimo, a instituição de uma rede de creches pública e pobreza nos jovens casais.

Sobre eventuais datas de eleições, Jerónimo de Sousa disse que estas devem realizar-se "o mais depressa possível", não devendo passar do dia 16 de janeiro.

No entanto, o deputado comunista não considera que a votação do Orçamento obrigasse o Presidente a convocar eleições.

Decidiu fazê-lo, é responsável por isso”, disse Jerónimo de Sousa, a propósito da decisão, já anunciada por Marcelo Rebelo de Sousa, de dissolver a Assembleia em caso de chumbo do Orçamento do Estado.

Acerca de potenciais mudanças decorrentes de novas eleições legislativas, o PCP mostra preocupação com as posições do Partido Socialista.

O seu objetivo não declarado é alcançar a maioria absoluta, para ficar com mãos livres para fazer o que muito bem entender”, atirou o dirigente.

O povo português tem uma experiência longa, de muitas décadas, do que significaram maiorias absolutas. Pagou as consequências de ter permitido essa situação”, afirmou, numa alusão aos governos de Aníbal Cavaco Silva.

Apesar das críticas, o parlamentar reconhece que há “matérias de fundo que justificam a convergência” com o PS.

Jerónimo de Sousa revelou, ainda, que o partido está “confiante” de que pode afirmar-se “no quadro da batalha eleitoral”, fruto das propostas do PCP, que vão de encontro aos “anseios e aspirações de muitos portugueses”.

À pergunta se o Presidente da República falou da possibilidade de existir, na próxima legislatura, um acordo escrito, Jerónimo respondeu negativamente.

“Não, foi um curto diálogo, muito centrado nas datas”, disse.

Pedro Falardo / com Lusa