O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admitiu hoje votar favoravelmente a moção de censura ao Governo, apresentada pelo Bloco de Esquerda, revelando que não houve «negociações» entre os dois partidos para uma moção conjunta, noticia a Lusa.

«Por aquilo que me pareceu da intervenção do coordenador do Bloco, naturalmente que nós poderemos subscrever um voto daquela natureza, mas a nossa moção tem um valor intrínseco, próprio, que com certeza demonstraremos no debate na Assembleia da República», frisou, em declarações aos jornalistas, à margem de uma campanha de rua, em Angra do Heroísmo, nos Açores.

Jerónimo de Sousa adiantou que houve apenas «um contacto» com o Bloco de Esquerda, não tendo existido «negociações» entre os dois partidos, no entanto, salientou que «esta convergência de data também tem o seu significado».

O secretário-geral do PCP disse não acreditar num voto favorável do PS à moção de censura apresentada pelo PCP, nem numa moção de censura conjunta dos partidos de esquerda.

«Há quem acredite no Pai Natal, mas é muito difícil enquanto existir esta identificação com os objetivos estruturantes desta política, que têm neste instrumento uma questão concreta incontornável», frisou.

Apesar da posição da direção do PS, o líder dos comunistas considerou que «serão muitos milhares de socialistas sinceros, que com certeza não estarão de acordo que se assista a que este Governo acabe com o resto».

Jerónimo de Sousa acusou o PS de se demarcar das moções de censura hoje apresentadas e de esperar que as políticas deste Governo levem à destruição do País, para que «o poder lhe caia no regaço».

«Nós apresentámos a nossa moção de uma forma autónoma, mas com a consciência de parar com uma contradição insanável por parte do PS, que se afirmando de esquerda continua a ser um fiel seguidor desta política de direita que nos está a desgraçar», frisou.
Redação