O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou esta segunda-feira o “posicionamento do faz-de-conta” do Governo em relação à aprovação de propostas de outras forças políticas que acabam por ser atiradas “para as calendas”.

“O grande problema é o amarramento que o PS tem em relação a algumas políticas económicas e sociais… Conduzem-nos a ter, portanto, a necessidade desta denúncia, porque achamos que é pouco sério votar uma proposta de uma outra força política e depois, como está no comando, no Governo, atira isso para as calendas”, disse o dirigente comunista, no final de uma reunião com a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), na sede do partido, em Lisboa.

Para Jerónimo de Sousa, “este posicionamento do faz-de-conta por parte do Governo do PS vem demonstrar que, afinal, não basta aprovar, é preciso, de facto, concretizar”.

O secretário-geral comunista referiu que há falta de “um diálogo franco e aberto” por parte do executivo socialista e a persistências das adversidades enfrentadas pelos militares e denunciadas pela AOFA é um exemplo da “recusa geral em enfrentar estes problemas”.

Da parte do Governo, prosseguiu, até pode haver “uma ou outra cedência”, através da aprovação “de um projeto de resolução que responde a alguns dos problemas” transmitidos pela AOFA, “mas que, depois, não têm sentido prático”, ou até da inscrição de medidas no Orçamento do Estado que carecem de regulação, fazendo com que a “eficácia passe a zero”.

“Por isso mesmo estamos a criticar e a denunciar coisas que são importantes… É aqui para os militares, como podia ser para outras áreas onde ou se atira para um projeto de resolução, ou aprova-se e, pronto, está aprovado, mas depois a ausência da regulamentação leva ao desvalor dessa iniciativa. É uma lição, um ensinamento, mas que não calaremos, naturalmente”, finalizou.

Já o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, António Costa Mota, lembro que “existe uma resolução na Assembleia da República com três que não foi ainda cumprida, no sentido de o regulamento ser revisto, entre as chefias militares, em articulação com associações militares”.

Recordando que o PS votou favoravelmente a resolução em questão, o dirigente associativo referiu que até hoje “não houve abertura absolutamente nenhuma” para a colocar em prática.

A reunião fez parte de uma ronda de encontros entre a AOFA e os partidos com representação parlamentar, no sentido de expor as principais dificuldades sentidas pelos militares portugueses a nível económico e social. Entre os 21 temas abordados, referiu António Costa Mota, ficou de fora a proposta de revisão da Lei Orgânica de Bases de Organização das Forças Armadas (LOBOFA), defendida pelo Governo, e cuja intenção é concentrar o comando e organização no Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

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