O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o futuro da TAP não pode estar dependente da União Europeia, durante uma iniciativa para defender a construção de uma terceira travessia, rodoferroviária, do Tejo, no Barreiro.

“Para o PCP é inaceitável que seja a União Europeia a tentar impor como e quando é que o Estado português pode intervir na TAP”, disse Jerónimo de Sousa, que se fez acompanhar pelos candidatos da CDU às Câmaras Municipais do Barreiro e de Lisboa, Carlos Humberto e João Ferreira, nas próximas eleições autárquicas.

“O que o Governo está a fazer na TAP, com milhares de trabalhadores despedidos, com a redução de frota e de capacidade operacional, é a preparar a TAP para a transformar numa sucursal de uma grande multinacional”, sublinhou o líder comunista, acrescentando que “não é entregando os aeroportos aos franceses da Vinci e a TAP aos alemães da Lufthansa que se defendem os interesses nacionais”.

O líder comunista defendeu ainda que as melhores soluções para o futuro do País não são as que mais agradam à Vinci, seja no que respeita ao futuro aeroporto ou à construção da terceira travessia do Tejo.

“Enquanto uns se submetem aos interesses das multinacionais – é que a Vinci também é dona da Lusoponte –, mesmo que isso prejudique o desenvolvimento do país, o PCP não prescinde da necessidade de romper com essa submissão, apontando à construção de um novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete e à construção de uma nova ponte sobre o Tejo [no corredor Barreiro-Chelas]”, disse.

Jerónimo de Sousa considerou ainda que esta opção Barreiro-Chelas teria impactos muito positivos em Lisboa e em toda a Península de Setúbal, para além de também ser importante para o país, mas salientou a importância de se construir uma ponte rodoferroviária e não apenas uma ponte ferroviária.

“Caso se viesse a consumar a opção de uma nova ponte apenas ferroviária, essa opção pouco acrescentaria a quem diariamente tem que optar por fazer, por exemplo, 35 quilómetros daqui à Praça Marquês de Pombal ou então 50 quilómetros se for pela Ponte Vasco da Gama”, frisou.

 Para Jerónimo de Sousa, a “terceira Travessia do Tejo em modo rodoferroviário é mais eficiente pela sua localização e assume um custo que não será superior a uma Travessia apenas ferroviária, mais um hipotético túnel rodoviário, que alguns defendem, geograficamente descentrado”.

O líder do PCP lembrou ainda que, segundo as propostas dos concorrentes à construção da nova ponte apresentadas em 2009, o custo da travessia rodoferroviária e acessos, situava-se abaixo de 1.500 milhões de euros, montante que Jerónimo de Sousa disse ser "recuperável a longo prazo".

/ HCL