Um dia após o Orçamento do Estado para o próximo ano ter sido chumbado, instalada a crise política no país e a "geringonça" ter oficialmente chegado ao fim, Jerónimo de Sousa reitera que PCP "não deseja eleições" e que "nada obriga à dissolução da Assembleia da República"

O secretário-geral do PCP discursou num comício do Comunista e foi claro em três pontos: o PCP não quer eleições antecipadas, não há nada que obrigue uma dissolução da Assembleia da República e que o Orçamento foi chumbado por culpa do PS.

Não desejamos eleições nem elas são inevitáveis, porque nada obriga que da rejeição do Orçamento do Estado resulte a necessidade de dissolução da AR e de convocação de eleições. Nada impede que o Governo em funções responda ao que tem de responder no mais imediato”, esclarece Jerónimo de Sousa.

 

Jerónimo garante que “não há Orçamento, porque o PS não quis". Para o líder do PCP, "o Governo recusou as respostas e soluções, conduzindo a que o OE2022 não fosse aprovado".

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No entanto, lembra que "nada impede que o Governo apresente uma nova proposta e assuma os compromissos necessários" para que uma nova versão do OE2022 seja aprovada.

Haverá quem se interrogue se exigimos tudo neste Orçamento? Não, não nos aproximámos sequer da política patriótica e de esquerda que faz falta ao país. (…) Nós fizemos o que nos competia. Honrámos o património de intervenção e luta em defesa dos trabalhadores e do nosso povo. O país só não tem Orçamento, porque o PS não quis. (…) Não aceitamos ter um país condenado ao declínio. (…) Não o fizemos no passado e não aceitaríamos agora”, refere o secretário-geral do PCP.

 O secretário-geral lembra ainda o discurso de António Costa no final do debate parlamentar, onde o primeiro-ministro "pediu uma maioria estável e duradoura" para dizer que o "PS quer ter maioria absoluta” em vez da solução governativa de convergência à esquerda.

O PCP não se bate por eleições, bate-se por soluções para o país”, culmina Jerónimo de Sousa.

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Nuno Mandeiro