O PCP reúne no sábado, em Lisboa, o comité central para um encontro em que o líder comunista, Jerónimo de Sousa, já admitiu que vai decidir a candidatura do partido às presidenciais, foi anunciado esta quarta-feira.

O gabinete de imprensa do PCP anunciou, em comunicado, a data do comité central, sem adiantar a ordem de trabalhos. Será o próprio Jerónimo de Sousa a divulgar as “principais resoluções da reunião”, segundo o comunicado.

Na terça-feira, o secretário-geral dos comunistas excluiu-se de uma candidatura presidencial (a que concorreu duas vezes, em 1996 e 2006) e anunciou, sem "dar nenhuma informação apressada" que, "com certeza" o partido terá "outro candidato, outra candidata que será anunciado talvez no dia 12, mais coisa menos coisa".

Eu candidato? Costuma-se dizer que não há duas sem três, mas já participei nessas batalhas”, respondeu aos jornalistas, com uma risada, quando interrogado na terça-feira se sentia “o impulso” de voltar a concorrer.

O PCP avançou sempre com candidaturas a Belém desde 1976, de dirigentes muito próximos da liderança, desistiu por três vezes e dois deles foram secretários-gerais.

Desde as primeiras presidenciais no pós-25 de Abril, em 1976, que deram a vitória ao general Ramalho Eanes, até hoje os comunistas apresentaram sempre candidatos às eleições presidenciais, de dirigentes muito próximos da liderança, desistiu por três vezes e dois deles foram mais tarde secretários-gerais – Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa.

Nas primeiras presidenciais da democracia, avançou Octávio Pato, um histórico do PCP desde os tempos da clandestinidade, líder parlamentar da bancada comunista na Assembleia Constituinte, que obteve 7,59% dos votos, abaixo de Otelo Saraiva de Carvalho, o estratego do golpe do 25 de Abril (16,46%).

Por três vezes, os candidatos não foram a votos.

Primeiro foi Carlos Brito em 1980, que desistiu para o partido apoiar Ramalho Eanes, Ângelo Veloso em 1986, que saiu da corrida nas eleições que deram a vitória a Mário Soares sobre Freitas do Amaral, e Jerónimo de Sousa em 1996, para apoiar Jorge Sampaio na vitória sobre Cavaco Silva.

Carlos Carvalhas, que sucedeu a Álvaro Cunhal em 1992 na liderança do partido, concorreu um ano, em 1991, antes e teve o melhor resultado de sempre de um candidato do PCP – 12,92%.

Em 2001, o candidato comunista foi António Abreu, vereador na câmara de Lisboa, que recolheu 5,16%.  

Nas eleições em que foi a votos, em 2006, Jerónimo de Sousa ficou em quarto lugar, com 8,64%.

Em 2011, o escolhido foi Francisco Lopes, deputado e membro da direção do partido, que recolheu 7,14% dos votos.

Há cinco anos, numas presidenciais com um recorde de candidatos (10), os comunistas apoiaram o ex-dirigente do PCP na Madeira Edgar Silva que teve 3,95% dos votos.

A seis meses do fim do mandato do atual Presidente da República, são já oito os pré-candidatos ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de o nome de um deles ainda ser uma incógnita, o do PCP precisamente.

São eles o deputado André Ventura (Chega), o advogado e fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan Gonçalves, o líder do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, a eurodeputada e dirigente do BE Marisa Matias, a ex-deputada ao Parlamento Europeu e dirigente do PS Ana Gomes, Vitorino Silva (mais conhecido por Tino de Rans), o ex-militante do CDS Orlando Cruz e no sábado será conhecido o candidato apoiado pelo PCP.

/ AG