O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reagiu esta terça-feira aos resultados das eleições Presidenciais, que culminaram com a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante este cenário, os comunistas temem um posicionamento mais à direita por parte do Presidente da República.

O Comité Central do partido discutiu o desempenho da candidatura de João Ferreira, que ficou em quarto lugar, conseguindo 4,32% dos votos.

Para aquele órgão, a votação obtida “traduz um progresso” eleitoral, face às eleições de 2016, nas quais o candidato Edgar Silva teve menos de 4%.

Apesar dos elevados níveis de abstenção (mais de 60%), Jerónimo de Sousa congratulou-se pelo facto de as eleições não terem sido adiadas, algo que implicaria uma revisão da Constituição.

Questionado sobre as palavras de Rui Rio, que destacou os resultados de André Ventura em terrenos históricos do PCP, Jerónimo de Sousa fala num "quadro muito complexo e exigente", até porque a campanha ficou "dependente da comunicação social". O líder comunista lembra que grande parte da força do partido está nas ruas, e que a falta desse contacto prejudicou a candidatura.

“Nós aguentámo-nos bem, crescemos num quadro de grande condicionalismo” numa conjuntura em que “nunca se tinha visto uma coisa destas”, a pandemia de covid-19 e o confinamento geral em que decorreu a campanha eleitoral, afirmou Jerónimo de Sousa, no final de um Comité Central para analisar os resultados das presidenciais de domingo.

Sobre uma eventual transferência de votos, o secretário-geral do PCP admite o cenário de eleitores que transitaram do PCP para Marcelo Rebelo de Sousa.

Olhando a uma “análise mais fina” dos resultados, o líder comunista afirmou que, face a estes números, o candidato comunista “teve de ir buscar votos novos” para contrabalançar estas perdas.

Onde houve uma quebra de votos absolutos, a leitura do Comité Central é que houve “um número idêntico de votos”.

O Comité Central destacou o aumento de 3,95 para 4,32% na votação e “a obtenção de um número idêntico de votos, num quadro em que votam quase menos meio milhão de eleitores e num contexto marcado por circunstâncias de saúde pública que limitaram a ação de esclarecimento e mobilização e que desmente os que procuram falsamente menorizar o resultado obtido pela sua candidatura”.

Questionado sobre se João Ferreira, que já foi candidato à câmara de Lisboa em 2017 e às europeias de 2019 e subiu ao Comité Central no último congresso do PCP, poderá voltar a concorrer às autárquicas no final do ano, Jerónimo de Sousa não exclui o cenário.

António Guimarães / com Lusa