Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, considerou que a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) prova que o país “não estava condenado à política dos cortes e mais cortes de salários e direitos”.

A Comissão Europeia, certamente a contragosto, decidiu recomendar a saída de Portugal do PDE”, o que “pôs termo a uma das imposições intoleráveis e arbitrárias a que o país estava sujeito, e está submetido, pelas instituições da União Europeia”, disse Jerónimo de Sousa, em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora.

O PDE aplicado a Portugal, desde 2009, tem servido como instrumento de chantagem para impor a liquidação de direitos, o retrocesso social e o declínio económico”, acrescentou Jerónimo de Sousa.

Para o líder do PCP, o anúncio de segunda-feira da Comissão Europeia, que recomendou ao Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) o encerramento do PDE a Portugal, mostra que, “afinal, o país não estava condenado à política dos cortes e mais cortes de salários e direitos para sair desta inaceitável imposição”.

Na sessão de apresentação dos candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal de Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, às autárquicas de 1 de outubro, Jerónimo de Sousa "apontou o dedo” aos partidos que têm governado o país “nos últimos anos” e que, agora, “se congratulam” com a saída do PDE.

Estão todos contentes, a congratularem-se com a saída lá do Procedimento”, mas os últimos governos” deviam era “interrogar-se e pôr a mão na consciência”.

Para Jerónimo de Sousa, mais do que se congratularem com a saída”, o país “nunca” devia era “ter entrado” no PDE.

E, se entrámos, foi resultado da política dos últimos governos, PS, PSD e CDS, que levaram o país à situação em que se encontra”, criticou.

Dirigindo-se aos que “tanto” procuram “colher louros” sobre a saída do PDE, o líder do PCP disse que, “se o défice assumiu uma dimensão elevada”, isso deveu-se a “uma política que conduziu à degradação do aparelho produtivo nacional e à regressão económica e da balança comercial, com consequências no aumento da dívida pública e sujeição a juros especulativos”.

Mas também à transformação de avultados défices da banca, em défice público, milhões e milhões de euros canalizados do Estado para cobrir negócios ruinosos da banca privada”, criticou.

Na intervenção, Jerónimo de Sousa alertou também que as “chantagens e pressões” marcam “a atitude permanente da União Europeia” e estas “não se esgotam com a extinção” do PDE.

Nas autárquicas de 1 de outubro, a CDU vai recandidatar a atual presidente da Câmara de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino, de 39 anos, que disse pretender dar continuidade ao projeto autárquico iniciado no atual mandato.