O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, recusou, esta terça-feira, “enganar e iludir os professores” e aprovar as propostas para a recuperação integral do tempo de serviço congelado de PSD e CDS-PP, que considerou “inadmissíveis”.

Houve uma apreensão [do secretário-geral da Fenprof], que se compreende perfeitamente, mas a grande questão é que não podemos enganar e iludir os professores”, afirmou Jerónimo de Sousa, em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora.

O líder comunista falava aos jornalistas no final de um almoço na Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Montemor-o-Novo, a primeira paragem de um périplo que o vai levar ainda hoje a Mora, Arraiolos e Vendas Novas, no mesmo distrito.

Contudo, Jerónimo de Sousa rejeitou “votar [favoravelmente] aqueles critérios e constrangimentos”, propostos por PSD e CDS-PP, “a troco de uma mão cheia de nada e, ainda por cima, abrir uma outra frente ofensiva contra os professores que seria a alteração do estatuto da sua carreira”.

Acho que, mais cedo ou mais tarde, os professores vão assumir que fizemos bem, porque vamos ter que continuar a lutar pela reposição de direitos que são justos e possíveis e que depende muito das opções do Governo”, referiu.

Considerando que as propostas da direita são “inadmissíveis” e que resultam “de um recuo”, o líder do PCP defendeu que a “pressão e a chantagem do Governo acabaram por levar o PSD a uma fuga inexplicável e, ainda por cima, mal-amanhada”.

Com os critérios propostos, para além do Pacto de Estabilidade, “no mínimo, 50 anos era o tempo de recuperação de um direito legítimo, para além de tentar abrir uma caixa de Pandora" sobre o Estatuto da Carreira, notou.

O secretário-geral comunista insistiu que “era inaceitável votar estas propostas” de PSD e CDS-PP, sublinhando que a posição do PCP foi “coerente desde princípio”, porque votará “a favor daquilo que foi ponto de convergência” na comissão parlamentar de Educação.

Estamos com a consciência tranquila”, por “termos sido a força que apresentou propostas que resolveriam o problema e simultaneamente continuar os direitos legítimos dos professores”, acrescentou.

Questionado pelos jornalistas sobre as posições do primeiro-ministro, Jerónimo de Sousa considerou que “não foi aceitável o nível de argumentos” e que viu estes argumentos “na boca de muitos ministros do PSD e do antigo primeiro-ministro Passos Coelho”.

Não é bom para a democracia pôr trabalhadores contra trabalhadores e tratar [os professores] como privilegiados e, simultaneamente, esquecer que, se houve privilegiados, foi em relação aos milhões de apoio à banca, às Parcerias Público Privadas e à política de mata cavalos de redução do défice”, concluiu.