A deputada única do Livre garantiu hoje que a abstenção no voto sobre a Palestina não se deveu a "um descaso desta grave situação", mas "à dificuldade de comunicação" com a direção, mostrando-se surpreendida com a posição do partido.

Assumo total responsabilidade pelo voto e devo dizer que, apesar de a abstenção não constituir um voto a favor ou um voto contra, ela não representou aquilo que tem sido desde sempre a minha posição pública sobre esta temática. Votei contra a direção de mim mesma", refere Joacine Katar Moreira em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo a deputada única do Livre, a abstenção no voto de condenação pela "nova agressão israelita a Gaza", apresentado pelo PCP, "não se deveu a uma falta de consciência ou descaso desta grave situação, mas à dificuldade de comunicação" entre a própria e a atual direção do Livre, da qual é "parte integrante".

Foram três dias de contacto infrutífero para saber dos posicionamentos da direção relativos ao sentido de voto das propostas que nos chegaram, onde esta constava", afirma.

Joacine Katar Moreira explica que decidiu abster-se “por prudência, acreditando estar a defender a posição do partido” e não a sua.

Foi, então, com surpresa que recebi hoje, como todos vós, a posição da direção do partido, o Grupo de Contacto, a distanciar-se da minha abstenção”, sustenta.

No comunicado, Joacine Katar Moreira começa "por saudar todas as entidades e todos partidos que apoiam a causa palestiniana" e pedir "desculpa a todas as pessoas palestinianas e todas as outras que se sentiram lesadas e defraudadas" com a abstenção de sexta-feira.

Assumo total responsabilidade pelo voto e devo dizer que, apesar de a abstenção não constituir um voto a favor ou um voto contra, ela não representou aquilo que tem sido desde sempre a minha posição pública sobre esta temática. Votei contra a direção de mim mesma", afirma.

No mesmo comunicado, a deputada única do Livre condena “totalmente as ofensivas israelitas sobre a Faixa de Gaza e toda a repressão que o povo palestiniano tem sofrido a nível de bloqueios económicos, prisões e perseguições e da implementação dos colonatos israelitas”.

Apesar das posições do partido em 2014, as quais condenam agressões à Palestina por parte de Israel, o facto é que o texto do PCP era omisso em relação à questão da negociação para a paz e o Livre frisa nas suas posições a necessidade de diálogo entre as partes envolvidas”, justifica.

O direito da Palestina à autodeterminação é, para Joacine Katar Moreira e para o Livre, “uma questão absolutamente consensual”, sendo os votos de condenação “importantes pela sua carga simbólica”, mas “traduzem-se em posicionamentos retóricos em detrimento de impacte real na vida dos palestinianos”.

Disponibilizo-me e solidarizo-me totalmente com quaisquer iniciativas que possam acrescentar força efetiva à causa palestiniana. Por último, e no mesmo dia, não pude manifestar o meu sentido de voto relativo ao 25 de Novembro por me encontrar ausente do hemiciclo devido a um imperativo relacionado com as minhas funções de deputada única (DURP)”, refere ainda o mesmo texto.

A deputada única do Livre quis deixar claro que “estes dois sentidos de voto, por mais questionáveis que possam parecer, em nada significam uma revirada ideológica”.

O Livre manifestou este sábado preocupação com a abstenção da deputada única Joacine Katar Moreira na condenação pela "nova agressão israelita a Gaza", aprovado na sexta-feira no parlamento, um voto "em contrassenso" com o programa e as posições do partido, de acordo com o comunicado do Grupo de Contacto, a direção do partido.

Na sexta-feira, em plenário da Assembleia da República, foi aprovado um voto apresentado pelo PCP de "condenação da nova agressão israelita a Gaza e da declaração da Administração Trump sobre os colonatos israelitas", texto que teve votos contra de PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, bem como a abstenção da deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, e do deputado socialista Ascenso Simões.

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