A deputada eleita do Livre, Joacine Katar Moreira, afirmou esta quarta-feira, no final da reunião com o primeiro-ministro indigitado, que o partido rejeita uma "convergência bilateral", mas admite integrar uma "união à esquerda" que seja multipartidária.

Isto foi o início de um diálogo que consideramos absolutamente necessário à esquerda e valorizamos imensamente a visita do sr. primeiro-ministro ao nosso partido, especialmente o interesse numa hipótese de trabalho com um partido com uma única deputada", começou por dizer a deputada eleita por Lisboa.

Uma delegação do PS, liderada pelo secretário-geral e primeiro-ministro indigitado, António Costa, esteve esta quarta-feira na sede do Livre, para uma reunião que durou pouco mais de uma hora.

Aos jornalistas, Joacine Katar Moreira salientou que "o Livre tem todo o interesse em contactar e em falar com todos os partidos políticos com uma ótica democrática".

Mas neste exato momento nós não temos o interesse numa convergência bilateral com nenhum, mas consideramos absolutamente necessário que haja uma continuação de uma convergência e defendemos, estamos disponíveis, a participar numa união à esquerda que seja uma união multipartidária", assinalou a dirigente do Livre.

Questionada sobre se apoiará uma moção de rejeição ao governo de António Costa na Assembleia da República, a deputada apontou que “é óbvio que um partido que andou alguns anos a incentivar e a defender uma convergência ache absolutamente necessário que neste momento haja uma, especialmente num ambiente institucional hoje em que há outros elementos com umas ideologias que não nos interessam”.

Nós iremos contribuir, negociar, conversar e dialogar, obviamente com o objetivo de que este executivo cumpra, não unicamente os quatro anos da sua legislatura, mas é necessário nós entendermos que, no ato eleitoral, os portugueses não elegeram um executivo de 2019 a 2021”, mas sim, para os próximos quatro anos, vincou.

Antes de Joacine, Rui Tavares tomou a palavra para dizer que “foi um prazer e uma honra” reunir com o chefe de Governo na “exígua sede de 25 metros quadrados” e “acompanhar o percurso desta candidatura como mandatário”.

Costa salienta convergência com principais prioridades do Livre

O secretário-geral do PS salientou esta quarta-feira a existência de "possíveis convergências" com as principais prioridades políticas definidas pelo Livre para a próxima legislatura, designadamente em matérias como a lei da nacionalidade, projeto europeu e sustentabilidade ambiental.

António Costa falava aos jornalistas após uma hora de reunião com o Livre - encontro integrado na ronda de contactos que terá até ao final do dia com as forças parlamentares de esquerda e com o PAN, tendo em vista encontrar uma solução política estável para a próxima legislatura.

No final da reunião, que decorreu na pequena sede do Livre, perto da avenida Almirante Reis, em Lisboa, António Costa referiu que, nesta fase, o partido que elegeu Joacine Moreira como deputada, "não está disponível para celebrar acordos bilaterais, pretendendo antes um acordo multilateral" entre as forças de esquerda.

Caso não seja possível existir esse acordo multilateral, vai trabalhar-se em cada uma das iniciativas que o Governo apresentar, como orçamentos do Estado. O interesse do Livre é que esta legislatura dure os quatro anos", começou por apontar o líder socialista.

No plano político, António Costa frisou que as matérias sinalizadas pelo Livre "como sendo importantes - alterações à lei da nacionalidade, preparação da próxima presidência europeia de Portugal e avanços no domínio ambiental - são também áreas de possível convergência de pontos de vista com o PS".

Portanto, há campo de trabalho", sustentou António Costa.

Pelo PS, estiveram presentes, além do secretário-geral e primeiro-ministro indigitado, António Costa, a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, o presidente do partido, Carlos César e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

A acompanhar Joacine Katar Moreira, estiveram Carlos Teixeira, Patrícia Gonçalves, Pedro Mendonça, Isabel Mendes Lopes e Paulo Muacho, que integram o Grupo de Contacto do Livre - o órgão executivo do partido.

Também o fundador do Livre, Rui Tavares, esteve presente nesta reunião, apesar de não ter sido anunciada a sua presença anteriormente.