Com um discurso centrado no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na atual crise pandémica que o país e o mundo atravessam, o Bloco de Esquerda aponta o dedo ao Governo e diz que "tudo mudou".

Estamos em plena pandemia e tudo mudou. Já basta, já não é suficiente, já não chega continuar a dizer que vai ficar tudo bem. O mínimo que se exige é muito. Mas o mínimo que se exige hoje é o limite abaixo do qual o SNS começa a deixar gente para trás. O mínimo para 2021 é um orçamento que não deixe o SNS para trás", declarou Joana Mortágua.

A deputada criticou ainda as palavras de António Costa e destacou que a resposta à pandemia não aguenta um orçamento de continuidade.

A resposta à pandemia não se faz com um orçamento de estagnação e mudar o ângulo sobre os números não vai mudar a realidade dos hospitais, as pessoas nos hospitais não são atendidas por vagas de médicos anunciadas", destacou. 

Quanto ao reforço do SNS, Joana Mortágua arrasa as previsões do Governo.

A verdade é que em 2020, o Governo deixou o SNS perder médicos e o senhor primeiro-ministro dirá que não foi o Governo, foi a variabilidade anual. Pois bem, a variabilidade anual levou a que o SNS perdesse médicos e o Governo não fez nada para o impedir e sabia muito bem que poderia ter respondido à proposta do Bloco de Esquerda de dedicação plena dos médicos para evitar a sangria de especialistas e não o fez", adiantou a deputada.

 

Nós estamos no meio de uma pandemia e o Governo e o país continuam a andar à volta dos mesmos 4.200 profissionais que já faziam falta ao SNS para a normalidade, quanto mais agora para enfrentar esta tormenta".

Em resposta, o primeiro-ministro apenas disse: "Estou de acordo consigo. É preciso falar verdade e portanto, falo verdade”.

"Este orçamento não basta. Falha onde Portugal não pode falhar"

Mariana Mortágua começou por dizer que todos os partidos estão de acordo que a crise que o país enfrenta vai piorar, lembrando que as soluções para responder aos problemas “não começaram ontem”.

Disse que o orçamento apresentado é um "orçamento de rotina" e que não é isso que o país precisa. Assim, afirmou, o documento "está condenado a ser ultrapassado pelas dificuldades”

É verdade que este orçamento não faz cortes. É verdade que este é um orçamento de continuidade e estratégia orçamental do Governo. Quando olhamos para os exercícios orçamentais anteriores, confirmamos que este orçamento é de rotina”.

A deputada do Bloco lamentou que as contratações de profissionais de saúde "tenham sido tão atrasadas" e que nenhum trabalhador informal tenha recebido o apoio previsto.

Defendeu que o OE2021 deve ir mais longe, porque não basta "responder à emergência com medidas de emergência". Na ótica da bloquista, é preciso preparar o país para os desafios que se avizinham 

No Orçamento para 2021, a nossa obrigação já não é só responder à emergência com medidas de emergência, é proteger o país para estar a altura dos desafios estruturais que a pandemia expôs. A enorme pressão sobre um SNS cansado, mas que luta. A ameaça do desemprego e do abuso sobre quem é mais precário”, acrescentou. 

Numa nota final, Mariana Mortágua foi clara: “Este orçamento não basta. Falha onde Portugal não pode falhar e não olha para a realidade. Falha e não pode falhar”.