O presidente do PSD, Rui Rio, disse esta sext-feira, que a demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, "peca por tardia, porque as Forças Armadas foram sujeitas a um debate púbico negativo durante demasiado tempo".

O líder social-democrata defendeu, aliás, que "se houvesse um pouco mais de sentido de estado, esta situação já estava resolvida há mais tempo", salientando, contudo, que "mais vale tarde do que nunca".

"Considero que à saída do ministro da Defesa, aplica-se aquela frase popular 'mais vale tarde do que nunca', isto sem fazer um juízo de valor, se sabia ou sabia, mas em nome das condições políticas para o desempenho deste cargo", afirmou.

Rui Rio considerou também que a nota emitida pelo gabinete do primeiro-ministro revela que "Azeredo Lopes teve sentido de estado mais cedo do que aparentemente o primeiro-ministro".

O líder do PSD lembrou ainda que no início de setembro já tinha alertado para a situação de Tancos, que parecia esquecida, mas que em nenhuma ocasião pediu a demissão do ministro.

"Eu não peço demissões de ministros, não faço esses números políticos. Aquilo que disse é que se fosse primeiro-ministro, independentemente de ser verdade que Azeredo Lopes conhecia ou não conhecia aquilo que se tinha passado, em nome da dignidade das forças armadas impunha-se que houvesse o sentido de estado suficiente para se perceber que não havia condições para Azeredo Lopes desempenhar o cargo de ministro da Defesa", defendeu.

Rui Rio disse ainda esperar que "não seja verdade que é por razoes táticas do Orçamento do Estado" que Azeredo Lopes se demitiu, sublinhando que é preciso apurar todas as responsabilidades neste caso.

CDS: demissão “era inevitável, é tardia e muito reveladora”

Também o CDS-PP considerou que a demissão do ministro da Defesa Nacional, na sequência do caso do furto de armas de Tancos, anunciada sexta-feira, “era inevitável, é tardia e muito reveladora”.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada centrista João Almeida afirmou que a saída de Azeredo Lopes era inevitável.

“Porque, fomos os primeiros a dizê-lo, a desvalorização do que aconteceu em Tancos feita pelo ministro da Defesa tornou insustentável a sua permanência no Governo, pelo que representava em si, e por ter entrado em contradição com outros membros do Governo que consideravam grave o que tinha acontecido”, disse.

Para o deputado centrista, também foi tardia porque “foi fragilizando não só a imagem do ministro”, mas “também o prestígio da Forças Armadas”, que arrastado “nesta longa agonia” de “entre um assalto [em 2017] que foi desvalorizado, que não se esclareceu” e depois teve “desenvolvimentos ainda mais surreais”.

E é também reveladora, nas palavras de João Almeida, porque ainda na quarta-feira o primeiro-ministro, António Costa, disse manter a confiança em Azeredo Lopes, em resposta a uma pergunta da líder do CDS, Assunção Cristas, no debate quinzenal no parlamento, que acusou de “quebrar um consenso relativo às Forças Armadas que existia há 40 anos”.

“Quem quebra esse tipo de consenso é quem, num dia, diz que há todas as condições para o ministro se manter em funções e cerca de 48 horas depois esse ministro acaba por se demitir, não por algo que aconteceu entretanto, mas na sequência de um processo que se vinha a arrastar há mais de um ano”, concluiu.

Demissão de ministro é mais um motivo para inquérito parlamentar

O CDS-PP considerou ainda que a demissão do ministro da Defesa é mais um motivo que justifica a comissão de inquérito ao furto de armas em Tancos e deixa Azeredo Lopes “à vontade” para responder.

“Se há questões tão relevantes que justificam a demissão de um ministro é por que certamente justificam também uma comissão de inquérito”, afirmou à agência Lusa o vice-presidente do grupo parlamentar centrista, num comentário à saída do Governo de Azeredo Lopes.

João Almeida acrescentou que a demissão do ministro, “confirma aquilo que o CDS, na argumentação que fez para a comissão de inquérito, invocou, que havia muito por esclarecer”.

Agora que já não está no Governo, o deputado centrista considera que o agora ex-ministro “estará mais liberto e à vontade para poder responder, na comissão de inquérito, sobre o que saberá que aconteceu relativamente a Tancos”.

A criação da comissão parlamentar de inquérito, proposta pelo CDS, tem debate agendado no parlamento para dia 24 de outubro e será votada dois dias depois, tendo já a sua aprovação garantida.