O líder da Iniciativa Liberal (IL) acusou esta quinta-feira o Governo de não cumprir as promessas de desenvolvimento da ferrovia, notando que a eletrificação da linha do Algarve está prometida há 40 anos, mas apenas um pequeno trecho está eletrificado.

Mais uma vez, o Governo, cheio de promessas sobre a ferrovia na boca e com muito pouca concretização”, declarou João Cotrim Figueiredo, junto à Estação Ferroviária de Faro, após uma viagem de comboio entre Tunes, no concelho de Silves, e a capital algarvia, onde chegou cerca das 13:00.

Notando que “há promessas de eletrificação da linha do Algarve desde há 40 anos”, o deputado único e presidente da IL lamentou que continue a haver “apenas um pequeno trecho” eletrificado, entre Tunes e Faro, o que classificou como “inacreditável”.

O que nós quisemos ilustrar hoje é que é muito complexo para pessoas que vivem em Silves virem trabalhar para Faro todos os dias”, sublinhou, relatando ter tido conhecimento de “casos chocantes” de pessoas que, para entrarem no seu turno de trabalho às 00:00, têm de sair de casa às 18:00.

Para João Cotrim Figueiredo, cujo partido integra a coligação “Unidos por Faro” - encabeçada pelo PSD e que junta ainda CDS-PP, MPT e PPM - esta não é uma situação “normal” e a qualidade de vida dessa pessoa “é zero”, assim como “a esperança que pode ter no futuro”.

O líder da IL considera que o Algarve “é muito mais” do que uma região turística procurada durante o verão, razão pela qual deveria ser “cada vez mais diversificada”, com o comboio a desempenhar “um papel fundamental” na vida das pessoas que ali vivem e trabalham.

À chegada à estação ferroviária, João Cotrim Figueiredo tinha à sua espera uma comitiva liderada por Rogério Bacalhau, atual presidente e cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP/IL/PPM/MPT à Câmara de Faro, uma das seis no país em que a IL participa.

Questionado pelos jornalistas sobre se esta coligação em Faro aproxima a Iniciativa Liberal do poder, o deputado respondeu que isso nunca os motivou e que aceitou integrar a coligação por achar que havia condições para um verdadeiro projeto político.

Nunca trocaríamos os nossos princípios por cargos, portanto, neste caso em concreto, olhámos para a possibilidade e para o convite que nos foi dirigido e relembro que nós recebemos mais de 100 convites para integrar outras coligações e movimentos e aceitámos apenas seis”, sublinhou.

Os acordos que levaram à criação de cada uma destas coligações surgiram depois de Cotrim Figueiredo ter sentido que havia uma “abertura liberal”, “capacidade de inovar e vontade de fazer diferente” para combater o facto de o país estar “parado” há demasiado tempo.

A comitiva da coligação “Unidos por Faro” saiu da estação em direção à zona adjacente da doca de Faro, numa pequena arruada em que houve tempo para tirar fotografias de grupo e tomar uma bebida numa esplanada.

Agência Lusa / NM