O deputado único da Iniciativa Liberal (IL) defendeu esta sexta-feira que “Portugal precisa de um primeiro-ministro (PM) bom e não apenas de um PM bonzinho”, reagindo à mensagem de Natal do chefe do Governo minoritário socialista, António Costa.

Portugal precisa de um primeiro-ministro bom (capaz de garantir um plano de vacinação sólido e ambicioso e um caminho de recuperação que não dependa só do Estado) e não apenas um primeiro-ministro bonzinho (focado na gratidão e solidariedade a tantos a quem o Governo falhou). Assim fica difícil ter esperança”, declarou João Cotrim Figueiredo.

O primeiro-ministro manifestou esta sexta-feira esperança na recuperação do país, após um ano de "combate, dor e resistência" por causa da pandemia de covid-19, expressando "especial gratidão" aos profissionais de saúde.

Uma mensagem de esperança implica ter um bom plano de vacinação, não apenas palavras. Uma mensagem de esperança implica ter ideias concretas para a retoma económica e não estar apenas dependente de dinheiro europeu. O Governo não dá qualquer confiança de que será capaz de implementar um plano de vacinação, nem medidas económicas que permitam a retoma social e económica do país”, apontou Cotrim Figueiredo.

O parlamentar da IL lamentou que “as principais figuras do Estado” achem que “o futuro dos portugueses se resolve apenas com expressão de afetos”.

Uma mensagem de Natal deve sobretudo apontar para o futuro e dar esperança, infelizmente não se ouviram novas soluções, apenas o mesmo caminho cujos resultados não têm criado condições para progresso. Temos um Governo que não confia nos portugueses. Um Governo que não acredita e não dará condições à iniciativa privada”, lamentou.

CDS: “António Costa serviu-nos hoje um Governo em fim de ciclo” 

O vice-presidente do CDS-PP Miguel Barbosa sentenciou  o “fim de ciclo” do Governo minoritário socialista dirigido por António Costa, ao comentar a mensagem de Natal do chefe do executivo.

António Costa serviu-nos hoje, em dia de Natal, um Governo em fim de ciclo e sem qualquer capacidade para contagiar de esperança os portugueses. O Natal de 2020 é marcado por uma angústia profunda em que centenas de milhar de portugueses vivem o Natal do seu descontentamento, sem direito a espírito nem ‘milagre de Natal’”, afirmou.

Segundo o dirigente democrata-cristão, “a mensagem de António Costa desfia lamentos e acrescenta desalento ao sofrimento”.

Sobre o plano de vacinação anticovid-19, Miguel Barbosa mostrou preocupação pela “opção preferencial pelos centros de saúde, em alternativa a centros de vacinação em larga escala”, pela “ausência de um plano de comunicação agressivo de sensibilização da população para aderir à vacinação”, questionando ainda “o porquê de os profissionais de saúde do setor privado não estarem incluídos na primeira fase de vacinação”.

O CDS defende claramente um maior envolvimento das Forças Armadas em todo o plano de vacinação e no combate à pandemia em geral”, acrescentou.

António Costa, quando se dirigiu aos portugueses, assumiu que o seu Governo não fez “tudo bem” e terá cometido “erros, porque só não erra quem não faz”, prometendo todos os esforços “para combater a pandemia e aliviar o sofrimento” dos cidadãos.

O CDS-PP defende um “programa SOS Lares, para apoiar a contratação de médicos e pessoal qualificado para reforçar o cuidado a quem de nós cuidou, um vale farmácia para ajudar os idosos mais desfavorecidos a comprar medicamentos e uma ‘Via Verde Saúde’ para garantir acesso em tempo útil para doentes não covid-19 ao setor particular e social”.

PAN: “Confinamento político” sem “pontes” com outros partidos

O porta-voz do PAN, André Silva, afirmou que o primeiro-ministro, António Costa, está em “confinamento político”, além do isolamento profilático pela pandemia de covid-19, por esquecer as “pontes” com outros partidos.

O primeiro-ministro fez o discurso em confinamento político, uma vez que, sabendo que não reúne uma maioria absoluta no parlamento, continua a assumir o discurso oficial do PS como único caminho possível e parece já ter esquecido as pontes com outras forças políticas lançadas em sede do último orçamento do Estado”, lamentou, em reação à mensagem de Natal do chefe do executivo.

Costa manifestara a esperança na recuperação do país, após um ano de "combate, dor e resistência" por causa da pandemia de covid-19, numa mensagem de Natal em que expressou "especial gratidão" aos profissionais de saúde.

Segundo o deputado do partido Pessoas-Animais-Natureza, Costa “parece falar de um país que só existe no discurso oficial” e que não se vê “nas ações práticas do Governo e do PS”.

A gratidão expressa-se, acima de tudo, em ações, e as palavras do primeiro-ministro só têm significado se forem acompanhadas de medidas concretas que toquem a vida das pessoas”, defendeu André Silva.

BE diz que “só palavras não chegam”

O deputado Moisés Ferreira, do BE, disse que “só palavras não chegam” e instou o primeiro-ministro a traduzir os agradecimentos da mensagem de Natal “em atos” como a contratação “imediata” dos precários do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Só palavras não chegam. As palavras têm de ter uma tradução em atos que têm de ser consequentes. Reconhecer a importância dos profissionais da saúde, em particular do SNS, e depois não traduzir em atos é manifestamente insuficiente”, disse Moisés Ferreira.

Num ano marcado pela pandemia de covid-19, e quando fazia uma reação à mensagem de Natal de António Costa, também centrada na crise pandémica, o deputado bloquista referiu que Portugal “não pode ter um SNS com milhares de trabalhadores com contratos de quatro meses precários” e, ao mesmo tempo, um “Governo que se recusa a mexer no que quer que seja das carreiras dos profissionais da saúde, mas lhes agradece”.

Nesta noite de Natal, estão a trabalhar nos hospitais do SNS muitos precários”, disse Moisés Ferreira.

Em declarações aos jornalistas, na sede do BE, no Porto, o deputado defendeu a necessidade de que seja levada a cabo a “contratação permanente e imediata” de quem está com vínculo vulnerável no SNS, tendo também abordado o tema da vacinação e feito uma análise aos “erros” do executivo socialista de António Costa na gestão do combate à pandemia.

/ Publicada por MM