O candidato da CDU à presidência da Câmara de Lisboa defendeu esta quarta-feira a necessidade de concretizar o Plano de Acessibilidade Pedonal do concelho, numa tarde em que ouviu queixas de cidadãos com deficiências e mobilidade reduzida.

João Ferreira defendeu ainda que a Carris adaptada a cidadãos com mobilidade reduzida deve ser integrada no passe social Navegante, para que estes cidadãos não tenham de pagar cada viagem individual que efetuam nos transportes públicos, como acontece atualmente.

O ponto de encontro do candidato com jornalistas e com cidadãos com deficiências, da ACAPO e da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), por exemplo, foi no Cais do Sodré, onde uma pequena volta deu para perceber as dificuldades com que estes cidadãos se defrontam no dia a dia.

No Metro, os elevadores frequentemente estão fora de serviço, a maioria dos autocarros não tem plataformas elevatórias para cadeiras de rodas ou, se tem, muitas vezes não funcionam, salientou César, utente da APD.

Mesmo seguindo os percursos assinalados com faixas orientadoras no chão, é frequente um cego confrontar-se com armadilhas no meio do caminho, como vários caixotes de lixo, destacou também Isaurindo Fonseca, da ACAPO.

Isto obriga estas pessoas a darem voltas suplementares, saírem na estação seguinte para voltarem para trás, através de passeios onde a calçada portuguesa exige mais força de braços para que uma cadeira de rodas avance e onde as quedas são frequentes, porque basta um buraco para virar a cadeira.

João Ferreira destacou que o prazo dado pela lei para a adaptação de espaços públicos a pessoas com mobilidade reduzida já terminou sem que a lei fosse cumprida e lembrou que a cidade até teve “um instrumento muito útil para lidar com estas situações”, o Plano de Acessibilidade Pedonal, “que previa um conjunto de intervenções no espaço público, desde logo no sentido de tornar esse espaço público frequentável por todas as pessoas”.

O plano até “reuniu um amplo consenso” das forças políticas na Câmara Municipal, mas “a sua implementação marcou passo”, a equipa responsável foi desarticulada e “o plano não foi concretizado”, realçou.

Aquilo que há a fazer, do nosso ponto de vista, é não desaproveitar, como vem acontecendo nestes últimos anos, esse importante trabalho que a Câmara fez, mas concretizá-lo. Ou seja, nós temos, nos próximos quatro anos, sobretudo no que toca ao espaço público, aos edifícios municipais e à habitação municipal, de dar passos no sentido da implementação efetiva daquilo que há muito tempo está previsto em lei”, defendeu.

João Ferreira considerou que a mobilidade pedonal “não constituiu uma prioridade para a atual maioria que tem governado os destinos da Câmara” e defendeu que, nos transportes, o Metro e a Carris “são empresas que neste momento ainda deixam muito a desejar do ponto de vista da garantia dos direitos das pessoas com deficiência”.

O candidato defendeu que o serviço especial da Carris para cidadãos com dificuldades de mobilidade também deve integrar o passe social Navegante, já que atualmente “todos os cidadãos que se têm de deslocar com recurso à ‘Carris adaptada’ têm de pagar cada viagem que fazem individualmente, o que representa, além das dificuldades que já estariam inerentes a terem de marcar uma viagem, a aguardar por um serviço dedicado, têm também esse obstáculo adicional do preço, que acaba por lhes sair muito mais caro”.

No segundo dia de campanha, João Ferreira sente que “a CDU está a intervir em todas as áreas que são relevantes da vida na cidade”, afirmando-se como “uma força alternativa em Lisboa”.

/ MJC