Um passeio de bicicleta abriu esta terça-feira a campanha da CDU para a Câmara de Lisboa, permitindo ao candidato João Ferreira encontrar divergências com a atual governação socialista quanto às políticas de mobilidade na cidade.

No final do passeio entre Entrecampos e Sete Rios, João Ferreira salientou que a CDU está disponível para ajudar na governação da cidade após as eleições de 26 de setembro “se entender que estão satisfeitas algumas condições”, reiterando que para isso não é necessário um acordo formal com o partido vencedor, até porque a CDU já é uma coligação entre o PCP e o partido ecologista Os Verdes.

Com esta ação, João Ferreira pretendeu chamar a atenção para a articulação da bicicleta com todos os outros meios de transporte, sobretudo com o automóvel.

Ao longo do percurso, segundo o candidato, foram identificados “alguns exemplos de conceção de ciclovia que originam conflitos também com o peão”, nomeadamente no cruzamento com paragens de autocarros, partes de ciclovias “que estão desconectadas de outros troços”, criando muitas interrupções e ​​​​dificuldades aos utilizadores.

“Esse era um aspeto em que a Câmara poderia ajudar, por exemplo divulgando mapas com trajetos aconselhados, tempos de circuito, percursos aconselhados”, mas também “dando alguma lógica e alguma coerência à rede, finalizando alguns troços” que atualmente “chegam ao fim sem que seja evidente para o ciclista qual é o caminho a seguir a partir dali”, disse.

Além disso, o candidato defendeu “medidas de acalmia de tráfego”, com “a redução do número de automóveis em circulação” à cabeça, a valorização do transporte público e criação de zonas onde o limite de circulação seja a 30 quilómetros hora, nomeadamente “em zonas de maior densidade”, junto a equipamentos, como por exemplo escolas.

Quando questionado sobre a convergência destes pontos com o que é defendido também no programa do atual presidente e candidato socialista, Fernando Medina, relativamente à mobilidade, João Ferreira realçou que nem no uso da bicicleta a convergência é total e preferiu destacar “os pontos de divergência importantes”.

Entre estes a “divergência muito significativa” relativamente à rede circular do Metropolitano de Lisboa, que considerou “um erro do ponto de vista das políticas de mobilidade na cidade”.

João Ferreira afirmou que a CDU não tem a “ambição” de ser responsável pela mobilidade no futuro executivo da Câmara, mas assegurou que a sua equipa tem “capacidade e competência para intervir” em várias áreas, nomeadamente nesta.

Neste sentido, salientou estar disponível para ajudar na governação da cidade, “se entender que estão satisfeitas algumas condições, sem que isso signifique propriamente a existência de uma coligação com quem distribui o pelouro”.

“Agora se essas condições vão ou não existir, só depois das eleições é que vamos saber", destacou, realçando que "quanto mais força tiver a CDU em Lisboa, mais fácil é que tenha responsabilidades maiores do que aquelas que têm hoje no governo da cidade".

/ MJC