O PCP apelou esta quarta-feira ao Governo que estude e compre vacinas a outros países, além das acordadas com a União Europeia (UE), porque, caso contrário, vai falhar-se a imunidade de grupo em Portugal até ao final do Verão.

O apelo e o aviso foi feito pelo eurodeputado e dirigente comunista João Ferreira, numa conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Lisboa, em que também defendeu que o Governo deve aproveitar a presidência do Conselho de UE para “diversificar opções de compra” ao nível europeu.

Nada impede que Portugal tome iniciativa própria de procurar estudar e concretizar esse alargamento de opções de compra de vacinas”, afirmou João Ferreira que não detalhou países com esse processo mais avançado, como a China, Rússia ou Israel, ao contrário do que fez o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa numa conferência de imprensa anterior.

O eurodeputado comunista afirmou que, a seguir-se “o ritmo atual” de vacinação em Portugal, “em função das perspetivas e dos atrasos anunciados pelos laboratórios farmacêuticos” na entrega de doses, Portugal não conseguirá atingir “a imunidade de grupo no final do verão, como previsto, se não se tomarem medidas excecionais”.

E as medidas excecionais passam, segundo afirmou, por esses dois planos, a nível nacional e europeu, de reforço da diversificação na compra de doses de vacinas.

A rapidez na produção de vacinas poderá fazer-se não só com a diversificação na compra de vacinas, mas também através de abertura de patentes para permitir um “ritmo de produção mais rápido”, partindo do pressuposto de que se trata de vacinas com “eficácia e segurança comprovadas”.

Portugal é, “neste momento, um dos países mais prejudicados pelos atrasos anunciados pelas farmacêuticas”, dado que as vacinas da AstraZeneca são que estão mais atrasadas relativamente aos “compromissos assumidos”.

O eurodeputado sublinhou ainda que, além das já contratualizadas pela União Europeia, há “cerca de uma dúzia de vacinas” já “aprovadas por autoridades regulatória nacionais diversas” e em avaliação pela comunidade científica.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.419.730 mortos no mundo, resultantes de mais de 109,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 15.649 pessoas dos 790.885 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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