O candidato presidencial comunista João Ferreira considerou esta quarta-feira que o anunciado encerramento da refinaria da Galp de Matosinhos é uma “decisão contrária ao interesse nacional” e exemplo de como os grupos económicos “sufocam a democracia”.

Num encontro “on-line” com dirigentes sindicais e representantes dos trabalhadores da refinaria, o candidato apoiado pelo PCP às presidenciais de 24 de janeiro afirmou que esta decisão é “contrária ao interesse dos trabalhadores, desde logo”, mas também “contrária ao interesse nacional” porque prejudica a economia.

Nos últimos anos, argumentou ainda, Portugal tem vindo a ser “dominado pelos grupos económicos” em várias áreas e “é de tal modo avassaladora que essa presença sufoca o desenvolvimento e sufoca a própria democracia”.

Quando um país, “em decisões fundamentais, estratégicas fica à mercê de decisões” dos grupos económicos, que querem “sugar mais lucros, mais dividendos”, então o “preço a pagar é” haver “menos emprego, menos atividade económica e desequilíbrio da balança de mercadorias, aumento de importações e diminuição de exportações”.

O que o país precisa “como de pão para a boca”, afirmou o eurodeputado, é “o contrário”, ou seja, “diminuir as suas importações e aumentar as suas exportações”.

Tal como os dirigentes sindicais e representantes dos trabalhadores, João Ferreira prometeu tudo fazer para que o encerramento da refinaria não se concretize e terminou a sessão “on-line” com a frase: “A luta continua.”

A Galp vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos a partir do próximo ano, anunciou a empresa na segunda-feira.

Em causa estão, segundo os sindicatos, 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp referiu que "continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos", e que está a "desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo".

A empresa disse que as "alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos motivados pelo contexto regulatório e pelo contexto covid-19 originaram um impacto significativo nas atividades industriais de 'downstreaming' da Galp", e afirma que "o aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão".

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

/ HCL