O candidato às eleições presidenciais João Ferreira disse este sábado que a forma como o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa exerceu os seus poderes contribuiu para “degradar” a vida de milhares de trabalhadores.

A forma como [o Presidente da República] exerceu os seus poderes contribuiu para fragilizar e degradar a vida de muitos milhares de trabalhadores”, declarou João Ferreira, após uma sessão de apresentação do seu mandatário pelos Açores, Henrique Levy, em Ponta Delgada.

De acordo com o candidato apoiado pelo PCP, “em momentos fundamentais, em que foi importante tomar uma posição, por exemplo, no sentido de valorização do trabalho e dos trabalhadores, de todos aqueles que vivem do trabalho, num país onde, fruto de trabalhos baixos, ainda se empobrece a trabalhar, o Presidente não teve essa ação”.

João Ferreira exemplificou com a promulgação do diploma que promoveu as alterações às leis laborais no que concerne aos bancos de horas e ao alargamento do período experimental, não tendo Marcelo Rebelo de Sousa “sequer pedido a fiscalização do Tribunal Constitucional, que era uma possibilidade que tinha”.

Mas há outros exemplos: no confronto que opõe os grandes grupos económicos ao micro empresários, não me esqueço que, quando na Assembleia da República, numa altura já difícil, se aprovou um apoio aos sócios gerentes, que têm todo o direito a isso, até porque fazem há vários anos descontos para a Segurança Social, essa possibilidade foi vetada pelo Presidente da República”, apontou.

O candidato afirmou que este é “o mesmo [Presidente] que a primeira iniciativa que teve quando rebentou a pandemia foi chamar os banqueiros para discutir a situação”, defendendo que deveria ter havido uma “sensibilidade maior para com os problemas dos micro e pequenos empresários, com as dificuldades dos trabalhadores e das suas famílias”, o que “faltou claramente”.

João Ferreira considerou que o país necessita de um chefe de Estado que “seja coerente com o juramento que faz no momento da tomada de posse de cumprir e fazer cumprir a Constituição”, o que “exige alguém que esteja comprometido, como este Presidente não esteve, com a necessidade de valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos serviços públicos, especialmente do serviço público de saúde”.

O candidato referiu que isto “não é compatível com o abrir de campo ao negócio privado da doença”, tendo ficado “demonstrado com a situação de pandemia que é com o Serviço Nacional de Saúde, e só com esse, que os portugueses podem contar na hora do aperto”.

João Ferreira defendeu a canalização de meios públicos para investir no Serviço Nacional de Saúde, nos profissionais, unidades de saúde e equipamentos que afirma faltarem, “não se tendo contado com a intervenção decidida do Presidente da República a esse respeito”.

As eleições presidenciais de 2021 realizam-se em 24 de janeiro, sendo candidatos, entre outros, a socialista Ana Gomes, o comunista João Ferreira, Marisa Matias, do BE, André Ventura, do Chega, não tendo Marcelo Rebelo de Sousa anunciado ainda se é recandidato ao cargo.

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