O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, anunciou que vai começar a trabalhar nos contratos e na adjudicação de seis navios-patrulha oceânicos, uma vez que já foi publicada a Lei de Programação Militar.

A lei de programação militar foi publicada há uma ou duas semanas. Temos agora condições para começar a executar a lei. E o que a lei prevê é que ao longo dos próximos anos sejam adquiridos seis navios patrulha oceânicos. Vamos agora começar a trabalhar nos contratos e na adjudicação", disse.

João Gomes Cravinho falava aos jornalistas a bordo da fragata Corte-Real, que comandou a Força Naval Europeia (EUROMARFOR), constituída por navios e meios aéreos das marinhas de França, Itália, Espanha e Portugal, depois de assistir a diversas operações no encerramento do exercício naval e anfíbio CONTEX-PHILBEX 2019, que decorreu de 21 a 28 de junho, ao largo de Troia, concelho de Grândola, no distrito de Setúbal.

É um exercício muito complexo e completo, envolvendo não só um conjunto diversos de meios da Marinha, como também de outras Forças Armadas, de Espanha, de França, dos Estados Unidos e de Itália", disse o ministro da Defesa Nacional, satisfeito com a capacidade demonstrada pelas forças europeias.

Simulou-se aqui uma situação de multiameaças, com luta antissubmarina, antiaérea, à superfície e operações de reabastecimento. É fundamental que as nossas Forças Armadas tenham esta possibilidade de fazer exercícios muito complexos, porque, quando estão em situação de ameaça real, é o treino que conta. E este tipo de exercício é extremamente valioso", acrescentou.

Questionado sobre a falta de cerca de 800 pessoas para um quadro de pessoal equilibrado na Marinha e a dificuldade em recrutar "em quantidade e em qualidade", como reconheceu esta semana o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Mendes Calado, o ministro da Defesa Nacional admitiu que se trata de "um problema transversal, dos diversos ramos das Forças Armadas e de diversos países europeus" e lembrou que já estão ser tomadas algumas medidas relacionadas com o recrutamento, com a retenção e com a reinserção dos militares quando regressam à vida civil.

No âmbito da reinserção temos um conjunto de medidas que permitem que as qualificações que eles ganham quando estão nas fileiras [das Forças Armadas], sejam úteis no regresso à vida civil, tenham utilidade para encontrarem empregos interessantes", disse.

Em termos de recrutamento subiu-se a remuneração nos níveis de entrada - uma subida significativa na ordem dos oito por cento -, há também um conjunto de medidas relacionadas com a profissionalização, com aquilo que se faz durante o período de serviço, e que permite ganhar competências úteis", acrescentou, afirmou o ministro, convicto de que as dificuldades de recrutamento também resultam do desconhecimento que os por5tugueses têm das suas Forças Armadas.

Para João Gomes Cravinho, o regresso ao Serviço Militar Obrigatório (SMO) não ´e uma solução para os problemas das Forças Armadas, que passam em grande medida, pela necessidade de mão-de-obra diferenciada.

Há quem defenda [o SMO] e é um debate que ´«e sempre útil, mas não vejo que, neste momento, haja condições para uma medida desse género. Obviamente que se se verificasse uma alteração na análise de risco, provavelmente seria preciso pensar nisso. Mas não creio que seja esse o tipo de solução necessária para este momento", disse.

Hoje em dia temos necessidades a vários níveis: necessidades de mão-de-obra menos diferenciada, mas temos sobretudo necessidade de recrutar pessoas que se vão especializar dentro das Forças Armadas e que vão desenvolver capacidades a trabalhar com equipamento tecnologicamente avançado e, para isso, o SMO não oferece nenhum tipo de resposta. Não vejo que seja essa a solução", concluiu o ministro da Defesa Nacional.