O ministro da Defesa Nacional nunca pronunciou a palavra “Tancos” nem conjugou o verbo “furtar”, mas garantiu a sua confiança e “a dos portugueses” nas Forças Armadas, “esteio da soberania nacional e da democracia em Portugal”.

“Estou ciente da dureza que os últimos meses têm sido para esta instituição. A nossa confiança mantém-se plenamente nas Forças Armadas”, afirmou João Gomes Cravinho na abertura do ano académico 2018/2019 do Instituto da Defesa Nacional (IDN), em Lisboa, dando como exemplo notório o “apreço dos portugueses” na cerimónia do centenário do armistício, no domingo, que incluiu um desfile militar.

No final da sessão no IDN, a que assistiu o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, o ministro passou pelos jornalistas sem comentar o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, precisamente no domingo.

O Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas afirmou que não será tolerado o uso da instituição militar para "jogos de poder", num discurso na cerimónia que assinalou os cem anos do armistício da I Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918.

Durante quase 20 minutos, o ministro da Defesa falou sobre as missões das Forças Armadas em Portugal e no Mundo e insistiu que “são hoje tão essenciais como em qualquer momento do passado”.

Após a posse como ministro da Defesa Nacional, a pós a saída de Azeredo Lopes, João Gomes Cravinho afirmou, em 29 de outubro, que está a trabalhar com o Chefe do Estado-Maior do Exército na identificação do que “correu mal” no caso de Tancos e espera apresentar “em breve” o resultado dessa avaliação.

“O caso de Tancos é evidente que representa uma situação que correu mal, que está a ser corrigida e eu estou a trabalhar com o CEME na identificação daquilo que correu mal e na assunção de todas as lições que se podem aprender desse caso”, declarou.

O furto de material militar dos paióis de Tancos foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017.