O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse esta quarta-feira não estar surpreendido com as notícias de «novos buracos» financeiros e disse que «vai ser assim» até às eleições regionais de 9 de Outubro, noticia a Lusa.

Em declarações produzidas na ilha do Porto Santo, onde se encontra de férias, Alberto João Jardim salientou não haver «um novo buraco», como foi hoje noticiado citando a Comissão Europeia, no valor global de 500 milhões de euros.

«Já se sabe qual é o montante da dívida, só que a estratégia é dar os números às pinguinhas e vai ser assim durante o mês de Setembro», disse.

«O que se está a passar foi aquilo que já avisei o povo madeirense: é mobilizar-se a comunicação social do continente, mobilizar-se, agora, até neste caso, os próprios sectores da União Europeia que são afectos à Internacional Socialista e que estão a trabalhar neste grupo da troika, a Maçonaria mobilizou tudo quanto podia em termos de utilizar este período para atacar a Madeira», disse.

O presidente do Executivo Regional lembrou que «até o Governo dos Açores que recebeu três vezes mais que a Madeira, quer de fundos europeus, quer do Estado também já pediu a ajuda do Estado nos termos da intervenção da troika».

«Já se sabe que durante este mês vai ser esta história», concluiu.

«Insustentável»

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, voltou hoje a sugerir que a Região Autónoma da Madeira recorra a um programa de ajustamento semelhante ao do continente e diz que a situação na região é de crise e «insustentável».

Vítor Gaspar disse, durante a apresentação do documento de estratégia orçamental 2011-2015, que a solução para a situação da Madeira (principalmente) e dos Açores poderia passar por «se estabelecer um programa semelhante ao que existe para a República», acordado com as instituições internacionais.

«Nessas condições parece-me que será possível garantir um ajustamento bem sucedido nas Regiões Autónomas, garantir a disciplina orçamental e contribuir para a estabilidade financeira. A situação na Região Autónoma da Madeira parece-me uma situação de crise, parece-me uma situação insustentável, e por isso parece-me importante que se actue rapidamente», disse o ministro.

A Comissão Europeia já tinha confirmado hoje «deslizes» nas contas públicas da Madeira na ordem dos 500 milhões de euros, que agravam o défice português em 0,3 por cento do PIB, e reclamou uma melhor monitorização para prevenir novas derrapagens.

Em declarações à Lusa, o porta-voz da Comissão responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários, Amadeu Altafaj Tardio, apontou que os deslizes se devem a ¿dívidas de uma empresa do Governo Regional com problemas financeiros¿ (Estradas da Madeira) e a ¿um acordo abortado de Parceria Público-Privada¿ (PPP).

Segundo a Comissão, «estes deslizes exigem uma monitorização e gestão eficientes» por parte das autoridades regionais mas também locais, dada a necessidade de «conter riscos orçamentais, ao mesmo tempo que se procura melhorar as perspectivas de competitividade e crescimento, para toda a República Portuguesa».
Redação