O dirigente do PCP Jorge Cordeiro afirmou que os comunistas não receiam pagar o preço nas eleições autárquicas pelos acordos à esquerda desde 2015 e pela viabilização dos Orçamentos do Estado.

“Pelo contrário”, afirmou Jorge Cordeiro, dirigente comunista com o dossiê autárquico, em declarações à agência Lusa sobre a estratégias e as metas da CDU para as eleições locais em setembro ou outubro, questionado sobre se temia que a coligação pagasse o preço eleitoral pelos anos da “geringonça” ou da “nova fase da política nacional”, como o PCP lhe chamou na sua terminologia.

Eu diria que os últimos anos, se tivessem algum peso, teriam um peso favorável”, disse o dirigente comunista que reclamou para o partido a autoria de algumas medidas sociais.

Do “passe social aos manuais escolares ou o aumento das reformas e agora, mais recentemente, possibilidade de 300 mil pessoas terem o salário pago por inteiro [no ‘lay off’], isso deve-se a nós”, disse.

E argumentou que “se houvesse alguma conclusão a tirar” quanto a preços a pagar, “era a inversa”. Ou seja, os eleitores poderem reconhecer a intervenção dos comunistas no “processo de defesa e reposição na conquista de direitos que há praticamente 40 anos não existia”, depois de anos sucessivos “sempre a cortar” em direitos e rendimentos.

Olhando à história, Jorge Cordeiro recordou que, em 2001, a CDU perdeu “13 câmaras e não havia nova fase da política nacional”, recusando esse "mimetismo de olhar para um resultado” apenas com uma leitura nacional.

Independentemente de “admitir e valorizar o peso da leitura nacional” na autárquicas, o dirigente comunista sublinhou que é preciso perceber que nesse resultado pesaram muito a “conjuntura local, a correlação de forças, o candidato que se apresenta, o trabalho que se faz ou não se faz”.

Já depois de 2015, e do acordo parlamentar à esquerda, com o PS, a coligação CDU perdeu dez câmaras em 2017, na sua esmagadora maioria para o PS, incluindo Almada (Setúbal).

Noutra frente, a regionalização, Jorge Cordeiro não acredita nas promessas de relançamento do tema feitas pelo secretário-geral do PS, António Costa, na moção ao congresso do partido, em julho.

À pergunta da Lusa, “será desta?” que as regiões avançam, respondeu: “É desta que o PS se prepara para continuar a adiar.”

Com ironia, afirmou que “o que Costa veio anunciar foi que no final de 2024 se vai fazer uma avaliação para, a partir dessa avaliação, se abrir então um debate público que conduza à criação das regiões”.

O PCP, afirmou, defende a criação das regiões, prevista na Constituição de 1976, como uma necessidade, e voltou a criticar os impasses, ao longo dos anos, do PS e do PSD neste processo, desde os anos do PSD com Cavaco Silva ao referendo acordado, em 1997, entre os então líderes dos dois maiores partidos, Marcelo Rebelo de Sousa, (PSD) atual Presidente, e António Guterres (PS).

E disse que “não é com o PS que se contará para a criação das regiões administrativas”, mas sim para o “logro de descentralização” ou de uma democratização, “durante umas horas”, das comissões de coordenação e desenvolvimento regional, tempo que durara as eleições.

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