O PCP considerou como «a prova do afundamento do país» os novos dados sobre o desemprego, que apontam para uma taxa de 17,7 por cento no primeiro trimestre, apelando aos portugueses para derrotarem o Governo de maioria PSD/CDS-PP.

«Esta é a prova do afundamento do nosso país e a imposição que se coloca a todos os portugueses de lutarem para derrotar este Governo», afirmou o deputado do PCP Jorge Machado, nesta quinta-feira, em declarações aos jornalistas no Parlamento, numa reação aos dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, a taxa de desemprego subiu em Portugal para os 17,7% no primeiro trimestre, face aos 16,9% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 950 mil.

Sublinhando que o número de desempregados será «seguramente mais de um milhão e meio» caso se juntem também os inativos, Jorge Machado notou que o Governo «conseguiu só num ano destruir cerca de 133 mil postos de trabalho».

«Estes dados do desemprego são historicamente os mais elevados de sempre desde que há registo do ponto de vista estatístico e comprovam que o caminho de sucesso que o Governo anuncia afinal é um falhanço completo e total do ponto de vista económico e social», insistiu.

O deputado do PCP deixou ainda críticas ao presidente da República, acusando Cavaco Silva de se ter demitido das suas funções de cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Por isso, acrescentou, terá de ser «o povo na rua» a «derrotar este Governo o quanto antes».

PCP rejeita cortes retroativos nas pensões e promete lutar com «todas as forças»

O PCP rejeitou também hoje a aplicação de cortes retroativos nas pensões do Estado, considerando tratar-se de uma medida «injusta e inaceitável» em relação à qual os comunistas lutarão com «todas as forças».

A aplicação de cortes retroativos nas pensões do Estado foi assumida na quarta-feira pelo secretário de Estado da Administração Pública em entrevista à SIC.

A medida, segundo noticiam hoje os jornais económicos, implicaria uma redução média na ordem dos 10% em todas as pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA), no âmbito do processo de convergência das fórmulas de cálculo de pensões da CGA e da Segurança Social.

Ressalvando que a proposta ainda não chegou à Assembleia da República e que só quando ela for conhecida o PCP analisará a sua constitucionalidade, Jorge Machado sublinhou que qualquer tentativa de impor cortes retroativamente a quem se reformou com as regras legais que foram impostas pelo próprio Governo «é uma injustiça e é um claro roubo».

«Não há qualquer tipo de legitimidade para retirar aquilo que lhes foi atribuído», insistiu.

«Nós comunistas vamos lutar para que este pesadelo não seja uma realidade, para que este caminho não se concretize», frisou, não concretizando o que o PCP poderá fazer.
Redação / CM