O PSD afirma que não há qualquer incompatibilidade entre o discurso do primeiro-ministro e o de Paulo Portas em relação às novas medidas de austeridade. Os sociais-democratas afirmam que a taxa sobre as pensões é apenas uma possibilidade e que é natural que os dois partidos exprimam posições diferentes.

Na mesma linha, outros dois ministros reafirmaram em público que não há nenhum problema na coligação.

É tudo natural, é tudo legítimo e a taxa sobre as pensões nunca foi definitiva. Esta é a leitura do PSD do que aconteceu nos últimos dias. «Não existe nenhuma incongruência ou incompatibilidade entre aquilo que foi a decisão do Governo, e que foi tornado público pelo primeiro-ministro, e a afirmação que o líder do CDS faz. Aliás, o primeiro-ministro na intervenção que faz coloca essa taxa no plano de uma opção possível, mas desejavelmente substituída por medidas de redução de despesa no âmbito da reforma do Estado. Portanto, existem todas as possibilidades», disse Jorge Moreira da Silva em conferência de imprensa, acrescentando:

«É normal e legítimo que nos Governos de coligação os partidos possam afirmar alguma diferenciação e alguma autonomia».

No final da reunião da Comissão Política do PSD, o vice-presidente do partido veio dizer que na coligação não há cisões. A mesma ideia já tinha sido deixada pelo ministro da Defesa, Aguiar Branco. Paulo Macedo foi mais terra a terra e avisou: qualquer que seja a alternativa, ela será dura.

Esta quarta feira, Pedro Passos Coelho vai estar reunido com os grupos parlamentares que suportam a coligação no Governo. Talvez se perceba então em que ponto estão as negociações entre PSD e CDS para a substituição da taxa sobre as pensões.
Redação / FC