O dirigente comunista Jorge Pires classificou esta terça-feira como “inaceitável” que se mantenha o atual confinamento geral para combater a epidemia de covid-19 até ao final do mês de março, tal como "anunciado pelo primeiro-ministro".

Apesar da descida sustentada do número de incidências e a perspetiva da sua continuação no futuro imediato, o Presidente e o Governo preparam-se, tal como foi anunciado no final da reunião pelo primeiro-ministro, para manter o atual confinamento até final do mês de março, o que consideramos inaceitável porque despreza todas as consequências no plano económico, social e também de saúde, em geral, dos portugueses”, lê-se em declaração escrita.

Portugal deverá continuar com o dever geral de recolhimento domiciliário e outras restrições até meados de março, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, apesar de o pico da terceira vaga da epidemia de covid-19 já ter sido atingido em 29 de janeiro, com 1.669 casos cumulativos a 14 dias por 100 mil habitantes, com uma "tendência decrescente", segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ficou claro nesta reunião que uma das formas mais eficazes de combate à epidemia é avançar o mais rápido possível com o processo de vacinação, envolvendo todos os portugueses e que o grande obstáculo ao seu avanço está na falta de vacinas devido à falha de compromisso das farmacêuticas relativamente às entregas que se tinham comprometido contratualmente”, declarou o membro da comissão política do Comité Central do PCP.

O responsável comunista referia-se à 15.ª reunião do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) sobre a evolução da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, que voltou a juntar hoje peritos, titulares de órgãos de soberania, forças políticas e parceiros sociais.

Segundo Jorge Pires, “o que o país precisa é de reforçar a proteção individual, fazer a pedagogia da proteção, reforçar o Serviço Nacional de Saúde, concretizando todas as medidas aprovadas no Orçamento do Estado”.

Dinamizar a atividade económica, garantidas todas as condições de segurança dos trabalhadores, a atividade cultural e a atividade desportiva, e, simultaneamente, garantir a proteção social a todos aqueles que perderam as suas renumerações, em parte ou no todo, e garantir o salário a 100% aos pais das crianças até aos 16 anos que têm de ficar confinadas em casa devido ao encerramento das escolas”, são outras pretensões do PCP.

No final da reunião, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que Portugal deverá continuar com o nível de confinamento atual até meados de março, e indicou que o país continua com uma “incidência extremamente elevada” de novos casos de contágio pelo novo coronavírus.

Covid-19: Verdes defendem que Governo deve deixar de “estar preso” à UE nas vacinas

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) defendeu hoje que o Governo deveria negociar vacinas com “outros fornecedores”, estranhando que o executivo “esteja preso” ao compromisso nesta área com a União Europeia.

A deputada Mariana Silva falava aos jornalistas no parlamento no final da audiência com o Presidente da República, que decorreu por videoconferência, e depois de ter assistido, hoje de manhã, à reunião com os epidemiologistas no Infarmed.

Ouvimos por parte dos técnicos que vamos atingir os objetivos do plano de vacinação se as vacinas chegarem atempadamente, mas para isso é preciso ter vacinas. Preocupa-nos este atraso e, da parte dos Verdes, não percebemos porque é que o Governo português deixa de estar preso a este compromisso com a União Europeia e avança para outros fornecedores”, defendeu, sem especificar a quais se referia em concreto.

Questionada se o partido irá manter o voto contra a provável renovação do estado de emergência, a deputada do PEV respondeu afirmativamente.

“Sim, vamos manter até com outra preocupação, o desconfinamento que, depois de tantas declarações de estado de emergência, pode ser entendido como um momento de relaxamento e voltarmos a subir os números”, afirmou.

Portugal registou hoje 203 mortes relacionadas com a covid-19 e 2.583 casos de infeção com o novo coronavirus, segundo a DGS.

A covid-19 já matou cerca de 14.500 pessoas em Portugal, entre os mais de 750 mil casos de infeção.

O novo coronavírus foi detetado pela primeira vez na China no final de 2019, e, desde então, provocou mais de 2,3 milhões de mortos em todo o mundo.

/ RL