Pedro Santana Lopes falou, esta sexta-feira, em entrevista na TVI, sobre a possibilidade da Santa Casa vir a entrar no Montepio, cuja ideia agrada ao Governo, que tem como objetivo passa por conferir mais solidez ao banco e recentrá-lo no apoio à economia social, o chamado terceiro setor. 

No entanto, para o provedor da Santa Casa essa entrada tem de ser "estudada" porque "a Santa Casa não entra em aventuras".

Descartar [a hipótese], não descarto. Basta o Governo dizer que gostava de ver a Santa Casa de Lisboa e outras instituições da área social para eu achar que se pode ser uma obrigação. E compreendo a perspectiva do Governo".

O provedor afirmou ainda que "não está previsto" que a Santa Casa seja o principal acionista do Montepio, até porque não é sua "vocação principal assumir responsabilidades desse tipo".

Até podíamos ter capacidade financeira para o fazer, mas o que penso é que não devemos, em princípio, assumir uma responsabilidade como essa. Uma coisa é participar num projeto conjunto e entrar. Outra coisa é irmos liderar instituições financeiras. Não está na nossa vocação e não acredito que isso vá ou possa acontecer. Contribuirmos é uma coisa, mas mesmo assim temos de fazer a avaliação do ponto de vista institucional e financeiro".

O ministro do Trabalho, António Vieira da Silva, disse na quinta-feira que o Governo vê com "simpatia e naturalidade" a eventual entrada da Santa Casa da Misericórdia e outras instituições da área social no capital da Caixa Económica Montepio Geral.

"Não gosto de viver virado para o passado"

Santana Lopes comentou ainda as cerca de 60 páginas que o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, lhe dedica na biografia prestes a ser lançada e onde escreve "Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão ‘ad hominem’." O antigo primeiro-ministro confessa que "lhe custa a crer" que Sampaio tenha escrito isso porque sempre o teve como uma "pessoa educada".

Estranha, naturalmente [ser fartado]. Até porque conhecendo o doutor Jorge Sampaio, apesar de todas as diferenças, todos os encontros, sempre o tive na conta de uma pessoa educada, uma pessoa polida. Estranhei uma expressão como essa porque uma relação entre um Presidente da República e um primeiro-ministro tem de ser preservada. Apesar do que se passou em 2004 procurei reconstruir uma relação civilizada, correta e educada com o doutor Sampaio", afirmou, revelando que ambos têm mantido vários diálogos fora do círculo político.

Afirmando que não gosta de "viver virado para o passado", Santana Lopes garantiu que não vai lançar mais livros e "não vai dar mais para esse peditório" porque gosta de viver no presente.

Autárquicas? "Passos Coelho e líder da distrital insistiram muito"

Tempo ainda para falar sobre as autárquicas e o facto de Santana Lopes ter sido considerado o "desejado" como candidato do PSD à Câmara de Lisboa. O também antigo presidente da Câmara de Lisboa, 

Eu era, de longe, candidato melhor colocado no PSD", admitiu, acrescentando que ficou como "uma ligação muito especial à Câmara de Lisboa", até porque não fez "tudo o que queria fazer em Lisboa e foi um apelo muito forte".

Mas, pesando os pós e os contras, chegou à conclusão que "não devia" aceitar o convite do PSD para a corrida às autárquicas, até porque "teria de mudar a vida toda".

Sobre a candidata do partido, Teresa Leal Coelho, o antigo autarca afirmou que "Teresa Leal Coelho pode ser uma boa surpresa, mas tudo depende dela". No entanto, 

Andreia Miranda