O ministro da Defesa afirmou, esta quarta-feira, nunca ter visto o memorando sobre o furto de material militar em Tancos que levou à demissão do seu antecessor e que está a ser alvo de um inquérito parlamentar para apurar responsabilidades políticas.

Nunca vi esse memorando. De qualquer maneira, estive na semana passada na comissão parlamentar de inquérito, tive a oportunidade de responder a todas as perguntas e partilhei toda a informação que tenho disponível", disse João Gomes Cravinho, quando questionado se tinha tido acesso ao documento, em Braga, à margem de uma visita ao Regimento de Cavalaria nº6.

NA segunda-feira, o ex-ministro da Defesa Nacional José Azeredo Lopes garantiu que não deu conhecimento ao primeiro-ministro da existência de um informador no caso da recuperação do material militar furtado em Tancos, em 2017.

Tive conhecimento do informador e não transmiti ao senhor primeiro-ministro deste conhecimento lateral, tendo em conta as circunstâncias", afirmou Azeredo Lopes, que considerou o documento entregue por dois responsáveis da PJ Militar ao seu então chefe de gabinete, general Martins Pereira, não um memorando, mas sim um documento apócrifo, não timbrado e sem data.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017. Quatro meses depois, a PJM revelou o aparecimento do material furtado, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.