O PSD e o CDS-PP aprovaram esta quinta-feira uma acareação entre José Esteves e o tenente-coronel Lencastre Bernardo, com a abstenção da deputada do PS Isabel Oneto e o voto contra de Inês de Medeiros. A acareação deverá realizar-se na próxima terça-feira.

A proposta para pôr frente a frente o tenente coronel Lencastre Bernardo e o antigo segurança, que o implica no alegado atentado de Camarate, partiu do PSD.

Lencastre Bernardo, à data dos acontecimentos assessor militar do presidente da República Ramalho Eanes, rejeitou na terça-feira passada conhecer ou ter alguma vez falado com José Esteves.

A deputada do PS Isabel Oneto absteve-se considerando que a iniciativa é «extemporânea» por não haver elementos suficientes que a justifiquem.

Na reunião de hoje, a X comissão de inquérito à tragédia de Camarate agendou ainda a audição de Elza Simões para terça-feira de manhã, e de Acácio Brito para quinta-feira, também à porta fechada.

Elza Simões é ex-mulher de Fernando Farinha Simões, que se reclama ex-agente da CIA e disse num depoimento publicado na Internet que organizou o alegado atentado de Camarate.

O fotógrafo Rui Ochoa, Luís Fontoura, o antigo presidente da República Ramalho Eanes e o ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa serão os próximos a ser ouvidos na X comissão de inquérito.

Estas duas últimas audições já tinham sido anteriormente aprovadas.

As audições ao fotógrafo Rui Ochoa e a Luís Fontoura visam esclarecer elementos fornecidos pelo antigo diretor adjunto do jornal Portugal Hoje, que avançou a hipótese de as mortes de Sá Carneiro e Amaro da Costa estarem relacionadas com a alegada promessa de reconhecimento, meses antes, da República Árabe Saauri Democrática (RASD) por parte de Portugal.

O antigo redator do Jornal de Notícias disse que esteve no deserto do Saara «semanas», durante negociações entre o Estado português e a Frente Polisário para libertar 15 pescadores feitos reféns por aquela organização.

Nessa negociação, disse, participou Luís Fontoura pelo Estado português.

A 10ª comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes».
Redação / CM