O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou esta terça-feira a TAP de “impor um confinamento ao Porto e Norte” e de “abandonar o país” neste momento de pandemia em que Portugal “mais precisa” da transportadora aérea.

A realidade é simples: a TAP está a tentar impor um confinamento ao Porto e Norte e fá-lo na senda daquilo que tem sido a sua história. A TAP nunca perdeu o vínculo de ser uma empresa de caráter colonial e a sua estrutura nunca pensou de outra maneira”, afirmou Rui Moreira, em conferência de imprensa, na Maia, no distrito do Porto, na qual vários autarcas da região e o presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal anunciaram, numa posição pública conjunta, que vão pedir a intervenção do Governo na TAP, cujo plano de retoma prevê para junho apenas três voos entre Porto e Lisboa.

Segundo Rui Moreira, a TAP “não voltou por estratégia”, mas sim “por oportunismo”.

"Agora, num momento em que se encontra numa situação de debilidade” e “na altura em que o país mais precisa, a TAP abandona o país, porque estar só em Lisboa representa abandonar o país”, criticou o autarca.

Antes, o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, já tinha apelado ao Governo para que "coloque um travão" na atual administração da TAP, acusando-a de tratar o Aeroporto do Porto como "um mero apeadeiro".

A atual Administração da TAP voltou ao passado e está a tratar o aeroporto do Porto como um mero apeadeiro. Isto é inadmissível, sobretudo porque esta companhia [aérea] sobrevive com dinheiro público. Por isso, apelo ao Governo para travar definitivamente esta gestão que insiste em tomar decisões injustas e que só servem para aprofundar desequilíbrios regionais", referiu o autarca em comunicado.

José Manuel Ribeiro acusa a TAP de estar a "cometer uma tremenda injustiça e a contribuir para o aprofundamento das assimetrias regionais" pelo facto de o seu plano de operações, conhecido na segunda-feira, prever 247 voos em julho, a maioria de Lisboa.

O autarca socialista quer que o Governo de António Costa intervenha para, refere no comunicado, "colocar um travão numa gestão que está a prejudicar o desenvolvimento equilibrado e harmonioso do país".

Nos tempos que correm, esta estrutura tem de ser de primeira linha, porque tem todas as condições para ser um dos principais motores da economia do país, que não se quer a duas velocidades", defende o presidente da Câmara de Valongo, no distrito do Porto.

José Manuel Ribeiro acrescenta que o aeroporto Sá Carneiro "é fundamental não só para a retoma do turismo, mas sobretudo para os negócios internacionais da região Norte", frisando que é nesta região que "está a maior capacidade produtiva do país" e onde "se concentram muitas das suas indústrias exportadoras".

Câmara de Gondomar considera opções da TAP "um insulto à região" Norte

O presidente da Câmara de Gondomar também criticou esta terça-feira o plano de retoma de voos anunciado pela TAP, acusando a empresa de "discriminar" o Norte, fazendo um "insulto" à região que "mais contribui para a economia do país".

A confirmarem-se estas informações, isto é um insulto à região Norte, um insulto à região que tem o tecido empresarial que tem, a que mais exporta e contribui para o desenvolvimento do país e a que tem vindo a atrair mais e novo turismo", disse Marco Martins.

O autarca socialista de Gondomar aproveitou para fazer um "apelo" ao executivo de António Costa: "O Governo tem de continuar a dar os sinais que tem dado e tem de pôr ordem na empresa. A atual administração da TAP está a ceder a interesses económicos e a suportar os outros negócios que os acionistas têm na região da Lisboa".

PS desafia TAP a corrigir plano de rotas áreas que “lesa interesse nacional”

O secretário-geral adjunto do PS desafiou a TAP a corrigir o plano de rotas aéreas tornado público, considerando que a decisão da Comissão Executiva da transportadora aérea de reduzir voos e destinos "lesa o interesse nacional".

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, José Luís Carneiro defendeu que "decidir reduzir o número de voos e de destinos, colocando em causa pontos de partida e pontos de chegada relevantes para a economia nacional" pode colocar em causa os objetivos estratégicos definidos para a companhia de bandeira do Estado português.

"Para o continuar a ser, a TAP tem de estar alinhada com o interesse estratégico do Estado português. Este anúncio da comissão executiva coloca em causa esse objetivo estratégico e o suporte da decisão política de o Estado ter uma parceria com esta companhia logo que assumiu funções", afirmou.

Operação de retoma da TAP confirma necessidade de controlo público da empresa

O PCP defendeu hoje que a retoma da operação da TAP, com um número "muito insuficiente" de voos a partir do Porto, confirma a necessidade de um “efetivo controlo público” que coloque a transportadora aérea ao serviço do país.

"As notícias mais recentes sobre a reposição de voos pela TAP, com um número muito insuficiente a partir do Aeroporto do Porto não podem iludir, antes confirmam a questão essencial: a necessidade de um efetivo controlo público da TAP, afirmando-a como companhia de ‘bandeira’, ao serviço do país e do seu desenvolvimento", assinala, em comunicado, a Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP.

Para o partido, que apresentou no início de maio uma proposta de nacionalização da TAP, o número de ligações e de voos agora definidos para o Aeroporto do Porto não correspondem às necessidades das populações, nem da região e, por outro lado, "refletem opções de gestão que não colocam como prioridade o desenvolvimento do país como um todo".

O plano de retoma das operações da transportadora aérea foi conhecido na segunda-feira e prevê 27 voos semanais até ao final de junho e 247 no mês seguinte, sendo a maioria de Lisboa.

A companhia aérea já tem a informação disponível no seu ‘site', avisando que as rotas podem vir a ser alteradas caso as circunstâncias o exijam.

O plano da TAP para julho prevê a reposição das ligações diretas do Porto a Paris, Luxemburgo e à Madeira.

A TAP divulgou o plano de retoma de parte da operação para os próximos dois meses, numa altura em que começam a ser levantadas as restrições de viagens colocadas em prática por causa da pandemia do novo coronavírus.

A transportadora aérea tem a sua operação praticamente parada desde o início da pandemia, à imagem do que aconteceu com as restantes companhias, prejudicadas pelo confinamento e pelo encerramento de fronteiras para conter a covid-19.

/ RL/SS/AM - atualizada às 18:47