José Sócrates acusou este domingo o PSD e o CDS de terem dito «coisas feias» e de não ter dúvidas que «a ligação entre o PSD e o CDS está posta em causa». No entanto, instantes antes de reforçar esta ideia em declarações aos jornalistas que acompanham a caravana «Defender Portugal», admitia em exclusivo à SIC que aceitará Passos Coelho e Paulo Portas como ministros num Governo por si liderado.



Confuso? Questionado pela SIC sobre um cenário de coligação a três, Sócrates respondeu: «Com certeza». Mas perante a insistência do jornalista, acabou por esclarecer melhor: «Já disse que sim, que estou disponível».

A porta de São Bento foi aberta aos dois partidos da direita, seguindo a lógica do seu discurso, que há mais de um mês tem tentado uma abertura de diálogo com outros partidos, até agora sem sucesso. Mas o primeiro-ministro demissionário não diz se está disponível para a situação contrária. José Sócrates recusou-se a responder se aceita ser ministro num Governo liderado por Pedro Passos Coelho. «Eu não me entrego a essas elaborações e a esses cenários. O que importa é que não haja sectarismos e que todos os partidos se disponibilizem para o diálogo», adiantou no final do comício que fechou o dia de campanha da caravana socialista em Castelo Branco.

A abertura de Sócrates aos partidos da direita surge depois do secretário-geral do PS ter passado um comício inteiro a criticar «essas aventuras, esse radicalismo» das propostas do PSD, a reforçar a ideia de que os sociais-democratas querem «uma escola para ricos e uma escola para pobres», a dizer que o PSD «dá explicações baralhadas» sobre o que quer para o Serviço Nacional de Saúde. O candidato socialista repetiu não ter dúvidas de que «na direita há agora um estalar de verniz»

Mas a campanha só agora começou. Aguardam-se quilómetros de argumentos. Depois de um sábado menos animado, José Sócrates contou com uma maior mobilização este domingo. Os socialistas lotaram as bancadas colocadas de propósito para o comício no Centro Cívico de Castelo Branco, terra que que o conhece bem.

Entre a população, alguém dá nas vistas. E desta vez não foram os indianos e nem os paquistaneses que sábado apareceram na Praça do Giraldo - todos voluntários, segundo apurámos junto da organização da caravana.

A bandeira de Maria Filomena Baeta, 77 anos, tem o punho socialista cerrado ao centro, em tons de amarelo, e quatro cravos espetados lá em cima. Já não se vêem bandeiras assim e esta tem uma história.

No dia em que fiz anos, há 37 anos, fui a um comício do PS, na Damaia, e o meu marido ofereceu-me esta bandeira de presente. É o meu traje de gala», diz toda sorridente a militante, enquanto a abana ao som da música que vai saindo dos altifalantes.

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Notícia actualizada
Paula Oliveira