«O líder do PSD fez uma declaração que considero especialmente grave», acusou José Sócrates, esta noite no comício da Pontinha, em Faro, referindo-se à lei do aborto e ao referendo propostos por Passos Coelho. «Não tenho respeito por aqueles que um dia dizem uma coisa e, passado uns meses, dizem outra», atirou o candidato do PS numa noite que ficou marcada por uma detenção e cenas de violência no exterior do comício.

A questão do aborto foi também um dos temas centrais da intervenção de Vieira da Silva. O director de campanha do PS acusou o PSD de ter mudado de opinião sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez e de andar «à boleia da extrema-direita».

«O país não pode ser gerido como foi gerido o BPN por esse senhores, acusa João Soares

As palavras mais insufladas da noite vieram de João Soares, cabeça de lista socialista pelo Algarve. Num discurso em que acusou Pedro Passos Coelho, de «falta de caráter» e de «inconsistência absolutamente inenarrável», João Soares disse acabou por ir ainda mais longe ao acusar os sociais-democratas de terem calado o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, substituído pelo ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro, que esteve ligado ao BPN e à Sociedade Lusa de Negócios (SLN).

«O país não pode ser gerido como foi gerido o BPN por esse senhores. Se eles ganhassem, o que não me passa pela cabeça, ainda chamavam o Oliveira e Costa para responsável pelas Finanças de Portugal, mas isso nunca, nunca permitiremos ainda nome das nossas convicções», atirou João Soares.
Paula Oliveira / com Agência Lusa