José Sócrates falou esta quinta-feira ao país na sequência do Comunicado da PGR sobre as investigações inglesas ao processo de licenciamento do Freeport e das notícias que vieram a público. O primeiro-ministro afirmou que vem «repudiar mais uma vez» as notícias divulgadas e alimentadas na comunicação social e que «a declaração de impacto ambiental do projecto foi emitida sem nenhuma espécie de favorecimento, nem outra motivação que não fosse a defesa do interesse público».

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«Eu estou aqui porque foram divulgadas notícias sobre a minha pessoa que não são verdade», declarou o primeiro-ministro. José Sócrates começou por ler uma declaração: «Quero repudiar mais uma vez e com indignação as noticias difamatórias que a meu respeito tem sido divulgadas e alimentadas na comunicação social».

«Como é óbvio demissão não está em causa»

«Com o comunicado oficial de hoje, divulgado pela procuradoria-geral da República, (...) o país ficou a saber, mais uma vez que a verdade do que é a investigação do caso Freeport não corresponde aquilo que tem sido noticiado».

O primeiro-ministro falou também da condição de suspeito. «Eu não me coloco na posição de um suspeito. Porque é exactamente o contrário que diz a Procuradoria. Mas como todos os cidadãos estão ao dispor da Justiça e eu ainda mais porque sou primeiro-ministro».

Freeport: Ingleses não comentam comunicado da PGR

Sobre os aspectos do processo, José Sócrates adiantou ainda que não conhece outros suspeitos. «Não conheço esse senhor [Manuel Pedro]. Li nos jornais que esse senhor esteve presente na única reunião que participei, mas se passar na rua não o reconheço». O líder do executivo revelou também que não abordou este assunto com o Presidente da República.

«Acusações caluniosas da mesma carta anónima»

«Estas notícias baseiam-se aliás em fugas de informação selectivas, manipuladas e orientadas com um único fim: atingir-me pessoal e politicamente», disse José Sócrates acrescentando que estas fugas não fazem mais do que «aproveitar» e «explorar» as mesmas acusações caluniosas da mesma carta anónima» que deu pretexto aos ataques de que foi alvo na campanha eleitoral de 2005.

José Sócrates reafirmou que a autorização ambiental do projecto Freeport «obedeceu» ao cumprimento de todas as normas legais em vigor e que o projecto respeitou todas as exigências ambientais de uma zona de conservação da natureza. Depois o primeiro-ministro adiantou que «a declaração de impacto ambiental do projecto foi emitida sem nenhuma espécie de favorecimento, nem outra motivação que não fosse a defesa do interesse público».

«Campanha negra»

«Já não é a primeira vez que passo por esta provação de ter de enfrentar uma campanha negra com as técnicas habituais, (...) com o intuito de afectar a minha honra e por em causa a minha integridade pessoal. Sei bem que este é um teste de resistência. Repito: não é desta forma que me vencem».
Redação / CLC