PCP e BE exigiram esta quarta-feira ao PS começar do «zero» o processo de escolha do Provedor de Justiça e o líder parlamentar socialista recusou-se a esclarecer se o nome de Jorge Miranda continua em cima da mesa, noticia a Lusa.

No final das reuniões com o PCP e Bloco de Esquerda para a escolha do Provedor de Justiça, Alberto Martins foi questionado se o PS mantinha ou voltava atrás na proposta do constitucionalista Jorge Miranda para suceder a Nascimento Rodrigues.

«Processo tem de começar de novo»

O presidente do grupo parlamentar do PS deu a seguinte resposta: «Nem atrás, nem à frente, nem no mesmo sítio».

«Estamos a ouvir os outros grupos parlamentares nesta fase do processo», afirmou.

Após as reuniões com os líderes parlamentares do PCP, Bernardino Soares, e do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, o presidente da bancada do PS referiu que o objectivo desses encontros é por agora apenas «ouvir os diversos grupos parlamentares».

«Esse é o nosso ponto de partida. Não estamos a fazer considerações sobre como partimos ou não partimos [para este processo]. Estamos a ouvir o que os outros nos têm para dizer», disse.

Pela parte do presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares disse ter vincado que o seu partido não aceita começar a dialogar com nomes já em cima da mesa.

«O processo tem de começar de novo» e «cada grupo parlamentar deverá apresentar os seus pontos de vista», frisou o líder parlamentar do PCP, que quinta-feira, de manhã, reúne-se com o presidente da Assembleia da República.

Neste ponto, o líder parlamentar do PCP aproveitou para se demarcar dos socialistas ao admitir poder apresentar a Jaime Gama um nome para o cargo de Provedor de Justiça.

«Eventualmente, poderemos apresentar o nome. Mas, se o apresentarmos, não o divulgaremos», disse.

Por sua vez, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, advertiu que «o debate à volta de nomes previamente apontados viria a obstruir» o processo de escolha do novo Provedor.

«O processo inicia-se aqui e o processo lamentável entre o PS e PSD terminou. Agora, cada grupo parlamentar apontará as características e o perfil que defende para o cargo de Provedor de Justiça», acrescentou, acusando ainda PS e PSD de não terem dignificado a escolha do lugar de Provedor.
Redação / AP