O PSD diz estar à espera desde o ano passado de uma resposta do PS ao «independente, em plena actividade, muito qualificado e considerado no meio académico» que propôs para Provedor de Justiça, noticia a Lusa.

O nome da doutorada em Direito e professora universitária Maria da Glória Garcia, de 55 anos, divulgado pela comunicação social como sendo a proposta feita pelo PSD no final de 2008, não foi desmentido pelo partido.

Fonte social-democrata declarou à agência Lusa que «o PSD apresentou um nome ainda no ano passado», alguém descrito como «independente, sem actividade partidária, em plena actividade e não em final de carreira, muito qualificado e muito considerado no meio académico».

«O PS nunca disse nem que sim nem que não, não respondeu sequer. Este ano começou a lançar nomes na praça pública e há cerca de uma semana avançou com o nome de Jorge Miranda», relatou a mesma fonte.

Por não aceitar o procedimento dos socialistas e aguardar uma resposta ao nome que propôs no ano passado, que considera ser «tão bom como o proposto do PS», o PSD «não deu qualquer resposta» à proposta do constitucionalista Jorge Miranda, não a tendo recusado nem aceite, resumiu a mesma fonte social-democrata. Dizer que o PSD recusou essa proposta «é mentira», sublinhou.

Críticas de Ferreira Leite

No mesmo sentido, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou no domingo, em Coimbra, que «o nome do professor Jorge Miranda é muito bom, é uma pessoa muito respeitável», mas que o nome proposto pelo seu partido «é igualmente bom e igualmente respeitável».

Na sexta-feira, na sede nacional social-democrata, Manuela Ferreira Leite disse que «há muito tempo» o PSD propôs para Provedor de Justiça «uma personalidade independente, de indiscutível competência técnica, para com isenção ser a voz da defesa dos cidadãos».

Também nessa ocasião Manuela Ferreira Leite criticou a atitude dos socialistas, acusando-os de deixar a proposta do PSD sem resposta: «O PS nunca se dignou responder se concordava ou discordava. Numa atitude de imposição, optou por ensaiar uma inusitada indicação de sucessivos nomes alternativos».

«Não estão em causa as pessoas»

«Quero deixar claro que, para nós, não estão em causa as pessoas, mas sim os princípios que devem enformar esta escolha. O PS tem de perceber que não é por ter uma maioria absoluta que se pode arrogar no direito de escolher e indicar os titulares para todos os altos cargos do Estado», concluiu a presidente do PSD.

O PSD reclama ter tido neste processo uma conduta distinta do PS, nunca tendo tornado públicos os nomes referidos durante a negociação, e não abdica do princípio de que deve ser o maior partido da oposição a indicar o Provedor de Justiça.
Redação / HB