Com o “furacão” Tancos a ameaçar a campanha eleitoral, António Costa tem procurado minimizar os danos, fugindo ao assunto e escudando-se no argumento de que se trata de um tema de Justiça. "É uma atualidade da Justiça", voltou a insistir, esta segunda-feira, em Cacilhas. Mas um novo nome entrou em cena: o de José Sócrates. E o secretário-geral socialista serviu-se de um furacão real, que se aproxima dos Açores, para fintar as questões dos jornalistas e contornar o assunto, sem responder.

O líder do PS afirmou, esta segunda-feira, em Cacilhas, que não vai entrar num jogo de “ping-pong” com Rui Rio por causa de Tancos, reiterando que o presidente do PSD "refugia-se em casos" porque “não tem alternativa, não tem programa, não tem equipa”.

“Não vou estar neste ping-pong. Toda a gente percebeu que a escolha que temos de fazer agora é entre um governo do PS e um governo sem o PS. E que, efetivamente, o Dr. Rui Rio teve muitas oportunidades de apresentar uma alternativa credível ao país e falhou. Não tem alternativa, não tem programa, não tem equipa e refugia-se em casos”, frisou.

Mas no caso de Tancos, um novo nome entrou em cena: o do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, que publicou um artigo em defesa do Governo. Costa também não quer tecer comentários sobre isso e serviu-se do furacão que se aproxima dos Açores para fintar as questões dos jornalistas.

Esse é um tema que está fora da minha campanha, fora da campanha o que me tem preocupado é o risco do furacão que se aproxima dos Açores”, respondeu.

Quanto às relações institucionais com Marcelo Rebelo de Sousa, depois das notícias que envolveram o Presidente da República neste caso, garantiu que “do ponto de vista do Governo nada mudou nem poderá mudar”.

As relações institucionais deste Governo são sempre corretas, positivas, construtivas e boas com todos os órgãos de soberania, seja com a Assembleia da República, seja com a Presidência da República" (…) A última coisa que os portugueses desejam é qualquer tipo de conflito institucional", acrescentou.

Embora o líder socialista tente fugir ao assunto, a verdade é que o caso de Tancos tem agitado esta campanha eleitoral e motivado duros ataques da direita. E esta semana decisiva, a última antes da eleições, arrancou as sondagens a mostrar o PS a derrapar e o PSD a recuperar

 

Esta segunda-feira, a caravana do PS foi pela segunda-vez nesta campanha ao distrito de Setúbal. Depois de ter estado no Barreiro, na semana passada, para andar de transportes públicos, o partido foi agora até Cacilhas, em Almada, para fazer uma arruada.

 

Foi o percurso mais curto desta campanha: cerca de 350 metros, desde o Largo dos Bombeiros até ao cais, numa rua pedonal. O líder socialista fez-se acompanhar do ministro Eduardo Cabrita, da secretária-geral-adjunta, Ana Catarina Mendes, de João Galamba, secretário de Estado da Energia, e da autarca de Almada, Inês de Medeiros.

 

A tarde estava soalheira, mas por ser dia da semana, as esplanadas estavam vazias e, apesar do aparato da caravana e dos jornalistas, eram poucos os populares que por ali passavam.

 

Junto ao terminal fluvial, o cenário mudou com o movimento habitual dos utilizadores de transportes: pessoas a entrar para apanhar o barco, pessoas à espera nas paragens de autocarro, pessoas à espera nas plataformas do metro.

 

E aqui, como tem sido recorrente nestas ações de rua, Costa mostrou-se muito comunicativo com os populares. Foi até às paragens de autocarro, até a um pequeno quiosque, acedendo sempre aos pedidos para selfies e beijinhos.

 

A noite terminou com um comício em Coimbra e com Manuel Alegre, o histórico dirigente socialista, a entrar na campanha para avisar a esquerda: o partido tem "orgulho na geringonça", mas não precisa de "professores de esquerda"

 

Na terça-feira, a caravana socialista vai até à Nazaré, a praia das ondas gigantes. A surfar a onda das sondagens, os socialistas tentam não perder a estabilidade na prancha.