“Rui Rio é o rei! O rei!”, gritava uma apoiante do líder do PSD na rua de Santa Catarina, no Porto. No penúltimo dia de campanha, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto voltou “a casa e à terra” para estar com a sua gente e trouxe reforços.

A acompanhá-lo estavam Alberto João Jardim, Paulo Rangel, Luís Filipe Menezes, Joaquim Sarmento, Hugo Carvalho e André Coelho Lima – cabeças de lista pelo Porto e por Braga, respetivamente – e o presidente da Câmara de Ovar e vice-presidente do PSD, Salvador Malheiro.

“Quem vai ganhar é o país. Rui Rio trabalha para o país, António Costa trabalha para o PS”, afirmou Alberto João Jardim no início da arruada.

Início esse que mais parecia um arrastão, tal foi a velocidade a que as coisas aconteceram. A comitiva chegou numa bolha por uma das laterais da rua de Santa Catarina e gerou-se alguma confusão para que o candidato e quem o acompanhava se pudessem posicionar no centro da avenida.

Muitos encontrões, muitos pés calcados, muitos palavrões ouvidos entre quem ali estava para ver e apoiar Rui Rio, com algumas pessoas fugir da onda laranja com receio de serem levados pela corrente sem contar.

"Ai, não me apanham ali.... onde já se viu, nem deixam chegar ao homem", reclamava uma senhora que até ali tinha vindo para ver "Rui Rio de carne e osso".

E Rui Rio lá continuava, numa bolha de segurança, acompanhado pelos pesos pesados do partido, acenando a quem o tentava cumprimentar do lado de fora do cordão feito por militantes e membros da JSD. 

Aos jornalistas, mostrou-se feliz pelas centenas de pessoas que o seguiram na rua ao longo de cerca de meia hora até à praça da Batalha.

“O que conta é o apoio do povo e é isso que estamos a ver aqui”, afirmou Rui Rio, mal se ouvindo por entre bombos, cavaquinhos, concertinas e músicas da JSD.

Comício molhado é comício abençoado

As centenas de pessoas que acompanharam a arruada acabariam por se concentrar na praça da Batalha para o último comício da campanha de Rui Rio Mas, a chuva miudinha que foi caindo acabou por afastar algumas das pessoas que por ali se encontravam. Ciente disso, assim que tomou a palavra, o líder do PSD disse que tinha de acelerar o discurso porque o São Pedro estava a fazer das suas.

Antes de Rio se declarar de coração aberto à cidade do Porto, teve a palavra Alberto João Jardim, o ex-presidente do Governo Regional da Madeira, que viajou propositadamente até ao Porto para apoiar o candidato social democrata.

E foi o senhor da Madeira o responsável por trazer hoje Tancos à campanha, apelidando o caso como uma anedota e “uma imagem do Portugal socialista”. 

“A anedota nacional, o caso de Tancos, é uma imagem do Portugal socialista. Reparem: o barco encalhou, o barco começou a meter água, o barco começou a ir ao fundo, os marinheiros sabem que o barco está afundado, o imediato do navio sabe que o barco está afundado e o comandante, coitadinho, não sabe de nada”, afirmou.

Alberto João Jardim – que acusou ainda Costa de “falta de sentido de Estado – lembrou ainda que o ainda primeiro-ministro fez parte de governos do anterior primeiro-ministro José Sócrates e que “agora ninguém fala disso”.

“É preciso não esquecer com quem estamos a lidar: António Costa era um dos braços direitos de Sócrates, agora ninguém fala nisso, nem se conhecem, era o braço direito do homem”, apontou, defendendo que “Portugal não pode ter um primeiro-ministro que não tem sentido de Estado e pensa só no seu partido e no seu interesse pessoal”.

Fim do discurso de Jardim, hora de Rio subir se chegar ao palanque – recusando-se a saltar para que as imagens não ficassem gravadas para a posterioridade – e fazer um apelo a que os portugueses votem para não reforçarem “indiretamente” o PS, PCP e BE.

 “É preciso que aqueles que se vão abster percebam que, se não forem votar, e não forem votar no PSD, na prática estão a reforçar o PS, PCP e BE. Quem domingo não votar tem de ter consciência que, indiretamente, é como se estivesse a votar nessa solução”, afirmou, deixando ainda o apelo: “Vão todos votar e de preferência no PSD”.

Num discurso curto por causa da chuva, Rui Rio quis fazer notar uma diferença fundamental entre a oposição e o PSD, voltando a atacar, ainda que indiretamente, Carlos César.

“Nós vamos para o poder, nós vamos gerir o Estado, vamos gerir a administração pública, mas não vamos para lá para inundar a administração de militantes do PSD e de gente que nos é afeta, muito menos para colocar lá os nossos familiares e os familiares dos nossos amigos. Isto de não ir para a administração pública colocar os familiares e os militantes do PSD é um compromisso que tenho com Portugal, mas é um recado que também tenho para dentro do meu próprio partido”, disse.

Naquele que foi o seu regresso a casa, Rio não se fez de rogado e lembrou que as suas origens portuenses são as mesmas do fundador do partido Francisco Sá Carneiro.

“Temos a possibilidade de, no domingo, 40 anos depois de 1979 o Porto voltar a ter um primeiro-ministro daqui oriundo”, apelou.

No final do discurso, o líder do PSD explicou o porquê de não haver banda como programado e pediu um minuto de silêncio em memória do fundador do CDS-PP Freitas do Amaral.

A campanha do PSD termina esta sexta-feira em Lisboa com uma arruada no Chiado. No final da iniciativa, Rui Rio fará uma pequena declaração de balanço da campanha uma vez que, devido à morte de Freitas do Amaral, o comício final foi cancelado.