A principal notícia destas eleições é que o PS venceu as Legislativas sem maioria absoluta. A segunda é que haverá nove partidos políticos na Assembleia da República, sinal de uma transformação no eleitorado, que pretendeu dar força a quatro pequenos partidos: PAN, Iniciativa Liberal, Chega e Livre.

O PS alcançou, neste domingo, 36,65% dos votos, elegendo 106 deputados (dados provisórios sem contar com os votos da emigração). Os socialistas conseguiram, assim, mais 124.395 votos do que em 2015, altura em que o PS ficou em segundo lugar no escrutínio, atrás da coligação PSD-CDS. 

Para ter maioria absoluta, os socialistas precisariam de, pelo menos, 116 deputados. Estão, ainda, por apurar quatro deputados, dois pelo círculo eleitoral da Europa e dois pelo círculo de fora da Europa, votos que costumam calhar a socialistas e sociais-democratas.  O PS venceu em 15 círculos e retirou ao PSD a maioria em oito distritos, com destaque para os distritos do Porto (17 deputados) e de Lisboa (20), vencendo em 15 círculos eleitorais . Além destes dois círculos eleitorais, os socialistas retiraram a maioria ao PSD (que em 2015 concorreu coligado com o CDS-PP) em Viana do Castelo (3), Santarém (4), Coimbra (5), Braga (8), Aveiro (7) e Guarda (2).

Mas será que Costa ganhou em 2019 ao Passos Coelho de 2015? Não, nem por isso. Liderada pelo antigo líder do PSD, a coligação Portugal à Frente (Pàf) venceu as Legislativas de 2015 com uma maioria relativa de 36,83% dos votos. Ou seja, feitas as contas, há quatro anos Passos Coelho venceu as eleições Legislativas com mais 115.052 votos do que António Costa neste 6 de outubro. Daí o discurso de Rui Rio, que não viu "desaste nenhum no PSD". De acordo com dados provisórios, o PSD foi o segundo partido mais votado, com 27,90% dos votos, elegendo 77 deputados. Depois de quatro anos de Geringonça, António Costa mostrou vontade de repetir a fórmula no seu discurso de vitória.

Numa noite em que a derrota mais pesada fez estrondo no Largo do Caldas, com a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, a apresentar a sua demissão e a anunciar a realização de um congresso extraordinário, partidos como o Bloco de Esquerda ou a CDU também não podem cantar vitória.

O CDS-PP de Assunção Cristas não foi além dos 4,25% dos votos traduzidos em 216.448 boletins e cinco deputados. Os centristas perderam 13 deputados.

O Bloco de Esquerda elegeu o mesmo número de deputados (19 parlamentares), manteve-se como a terceira força política no hemiciclo, mas baixou em percentagem e número de votantes. Neste domingo, os bloquistas alcançaram 9,67% dos votos (492.487 votos), mas em 2015 tinham chegado aos 10,22% do eleitorado que foi às urnas e 549.878 votos. Em termos absolutos, e ainda sem contar com o círculo da emigração, perderam 57.391 votos nestas eleições. Perderam também influência no Algarve, onde deixaram de ter um deputado.

Já a CDU, a coligação que junta o PCP e Os Verdes, manteve-se como quarta força política no Parlamento, mas perdeu cinco deputados e 115.838 votos nacionais. Face a este deslize nas urnas, a deputada Heloísa Apolónia não conseguiu a reeleição por Leiria e, ao fim de 24 anos, vê-se obrigada a ficar do lado de fora do Parlamento. Contas feitas, a CDU conseguiu neste domingo 6,46% dos votos, traduzidos em 329.117 de boletins. Em 2015 tinha chegado aos 8,27% dos votos, 444.955 votantes.

A eleição de pequenos partidos foi uma das surpresas da noite. O PAN mais do que duplicou o número de votos. Passou de 1,39% dos votos e 74.752 mil boletins em 2015 para 3,28% dos votos e 166.854 boletins em 2019 e conseguiu quadruplicar os deputados. André Silva vai ter mais três deputados a seu lado na Assembleia da República.

Nota ainda para as três estreias no hemiciclo. O Chega, a Iniciativa Liberal e o Livre conseguiram eleger um deputado cada.

De onde vêm estes votos? Com 1,3% e 66.442 boletins, o partido de André Ventura obteve um terço dos seus votos em Lisboa, mas percentualmente foi no Alentejo que convenceu eleitores de terras historicamente de Esquerda a votarem no Chega.  A Iniciativa Liberal elegeu em Lisboa, onde conseguiu quase metade do total dos votos. O partido que ficou conhecido pela originalidade dos cartazes, obteve 1,29% dos votos de 65.545 eleitores. Já o Livre chega ao Parlamento com Joacine Katar Moreira. O partido obteve 1,09% dos votos, resultado de 55.656 boletins. Perto de metade desses votos obtidos em Lisboa.

Santana Lopes, líder do partido Aliança, foi um dos derrotados da noite ao não conseguir ser eleito, mas obteve 0,77% dos votos com 39.316 boletins de voto válidos.   

 

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