Augusto Santos Silva atacou Rui Rio por causa de Tancos, afirmando que o líder do PSD gosta de “produzir várias de teorias, para depois as desdizer” e que o PS “não quer trazer as instituições da República para a lama”. Este domingo, num almoço de campanha em Matosinhos, o número dois do Governo também apontou baterias ao CDS, afirmando que Assunção Cristas quer “afundar o nível do debate político”, mas que “quem se vai afundar é ela própria”.

Num almoço-comício com casa cheia no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, Santos Silva afirmou que Rio “gosta de produzir várias teorias”, para depois “as desdizer”. O ministro dos Negócios Estrangeiros e candidato pelo círculo de Fora da Europa falou sobre o caso de Tancos, lembrando que Rio sublinhou “a necessidade de usarmos serenidade e elevação quando tratamos de questões judiciais”, para depois, à primeira oportunidade, “desdizer a sua própria teoria”.

Ainda ao ataque contra o PSD, Santos Silva disse que a “alternativa” ao PS “andou escondida, demasiado ocupada em quezílias e lutas internas” e que “agora parece ter recuperado alguma energia, visibilidade e até unidade”. "Ainda bem porque é preciso escolher o que se quer e o que não se quer. E o voto no PS é um voto muito claro no que não se quer”, acrescentou.

E continuou, afirmando que o PS não quer trazer as “instituições da República Portuguesa para a lama”, “onde nunca estiveram” e “não estarão”

Não queremos trazer as instituições da República Portuguesa para a lama onde nunca estiveram e não estarão. A justiça e a política são domínios diferentes. (…) As questões judiciais resolvem-se nos tribunais e as questões políticas no parlamento e na política”, sublinhou.

O ministro criticou ainda o “nível e degradação da linguagem política”, de “ofensa”, que “degrada a democracia” para depois apontar baterias a Assunção Cristas. Santos Silva frisou que a líder do CDS “parece querer afundar o nível de debate político e democrático” mas que “quem se afundar é ela própria”.

A Dra. Assunção Cristas parece querer afundar o nível do debate político e democrático em Portugal, mas é evidente e basta olhar para as sondagens que quem se vai afundar é ela própria nos sufrágios dos portugueses e portuguesas”, vincou.

Mas nesta intervenção, Santos Silva disparou também à esquerda, afirmando que os que "ainda hoje hesitam sobre se Portugal deve pertencer ou não à União Europeia", se "deve ou não pertencer à zona euro", os que querem gastar "30 mil milhões para nacionalizar empresas", "não podem ter poder desmedido" ou" influência desmesurada na próxima legislatura", pedindo por isso força ao PS."

Os que ainda hoje hesitam sobre se Portugal deve pertencer ou não à União Europeia, se deve ou não pertencer à zona euro (…), os que querem fazer propor que se gaste 30 mil milhões de euros para nacionalizar as empresas, os que dizem que as contas certas não interessem a ninguém, não podem ter um poder desmedido não podem ter influencias desmesurada na próxima legislatura", vincou.

O socialista afirmou que o partido quer "continuar na próxima legislatura o mesmo diálogo" que teve nesta, "um diálogo à esquerda", que apoie "políticas progressistas", mas reiterou que para que isso seja possível "é necessário a força do PS" e estabilidade politica.

E tal como já tinha feito António Costa em Santarém, Santos Silva serviu-se da crise política em Espanha para ilustrar um cenário que o partido não quer.

O secretário-geral socialista também discursou neste almoço para lembrar que Santos Silva é o candidato num círculo no qual o PS não elegeu nenhum deputado porque o partido tem, este ano, "maior ambição". 

Depois, aproveitou a presença da atleta Rosa Mota para voltar a comparar o percurso do PS a uma maratona, sublinhando que o partido só ganhará a maratona, que é como quem diz, as eleições, quando cortar a meta.

"Ela [Rosa Mota] não ganhou a maratona aos 21 quilómetros (…) ela ganhou a maratona quando passou a meta (…) e é assim que termos de fazer esta semana, quilómetro a quilómetro", vincou.

Este domingo de campanha do PS foi passado no distrito do Porto. Antes do almoço-comício em Matosinhos, a caravana socialista esteve na Praia da Aguda, em Vila Nova de Gaia. 

Sofia Santana / atualizada às 15:16