António Costa recusa a ideia de que a campanha do PS para as legislativas de 6 de outubro seja mais “light” do que a de 2015 e se não vai andar tanto na rua é, justifica, por causa das suas “funções governamentais”. Até porque, apesar das sondagens estarem a seu favor, o secretário-geral socialista não se cansa de dizer que as eleições só se vencem nas urnas. Este domingo, no primeiro dia de campanha oficial, em Espinho, Costa focou-se nos problemas da ferrovia e, numa arruada de duas horas junto ao mar, desdobrou-se em cumprimentos, abraços, selfies e até em festinhas para cães.

As autoestradas são muito boas, mas a linha férrea é fundamental. (…) As linhas férreas e os comboios precisam de ser modernizados.”

Ao ouvir as palavras de Maria do Sameiro Carvalho, António Costa até brincou, dizendo que era preciso explicar aos jornalistas que a conversa não tinha sido combinada. É que o apelo desta mulher de Braga, que tinha viajado até Espinho de comboio, vinha precisamente ao encontro do tema que os socialistas destacaram para a ação de campanha da manhã deste domingo: a ferrovia.

Pouco tempo antes, o secretário-geral socialista e o cabeça de lista por Aveiro, Pedro Nuno Santos, tinham feito uma viagem na Linha do Vouga, que terminou na estação Espinho-Vouguinha. Um comboio antigo, cheio de grafitis, e uma estação fantasma, também ela vandalizada. Um cenário escolhido de forma intencional para “demonstrar o que ainda falta fazer” na ferrovia.

Ao escolhermos este comboio escolhemos para demonstrar o que falta fazer. Não se trata só de ter um comboio sem ser grafitado, não se trata só de ter um comboio mais cómodo, de reabilitar as estações, trata-se de fazer essa ligação fundamental desta Linha do Vouga à Linha do Norte de forma a que estes concelhos da área metropolitana do Porto estejam ligados à restante área metropolitana do Porto”, explicou o líder socialista, em declarações aos jornalistas.

Da estação de Espinho-Vouguinha, a caravana socialista, sempre incentivada por alguns membros da "jota", seguiu para uma arruada muito soalheira, marcada apenas pela brisa das ondas do mar.

E voltamos ao momento em que António Costa encontrou Maria do Sameiro Carvalho. A bracarense não se inibiu perante o secretário-geral do PS e também primeiro-ministro, afirmando que não era de nenhum partido, nem sequer de esquerda ou de direita.  

Não sou de esquerda nem de direita. Eu quero é o melhor para o meu país e para mim também. Se estiver tudo bem eu também funciono bem”, sublinhou.

Num passeio de cerca de um quilómetro, que começou a meio da manhã e que se prolongou até à hora de almoço, Costa recebeu muitas felicitações calorosas - um popular até o interpelou para lhe dizer que era o melhor primeiro-ministro desde o 25 de Abril. 

Mas também houve algumas queixas. Um dos assuntos questionados ao líder do Executivo foi a diferença de horário de trabalho entre a Função Pública e os privados.

Não somos todos do mesmo país? Não somos todos portugueses? Por que é que os direitos não são os mesmos?”, interrogou uma popular.

Ao que Costa respondeu: “Nós não podemos dar aos privados, a senhora tem a sua empresa, pode dar. Os privados dependem muito dos contratos coletivos que têm. Os contratos são diferentes”.

Mais à frente, outro desabafo. Desta vez, o de uma enfermeira que dizia que, apesar de ter uma especialidade, a sua remuneração-base continuava igual à de um recém-licenciado. “É muito complicado perceber o que se passa na carreira dos enfermeiros”, frisou.

Só vendo o caso concreto. Não lhe sei dizer porquê”, respondeu o líder socialista, que anotou o nome desta enfermeira num papel, prometendo ver a sua situação.

Falou com miúdos e graúdos, tirou selfies, deu abraços, parou junto de quem já almoçava nos restaurantes e até fez... festinhas a cães. O secretário-geral socialista mostrou-se afável com os amigos de quatro patas que foi encontrando pelo caminho. 

Questionado pelos jornalistas, Costa recusou a ideia de que esta seja uma campanha mais light, comparativamente com 2015. "A campanha é feita por todo o PS e não apenas por membros do Governo", reiterou.

Em 2015 era secretário-geral socialista a tempo inteiro, agora tenho as minhas funções governamentais, que tenho de cumprir", justificou.

Afirmou que as sondagens, que o colocam em vantagem para ganhar as legislativas, não o deixam "descansado" porque as "eleições são ganhas nas urnas", mas quando um popular lhe disse que acreditava numa maioria absoluta do PS, não hesitou em responder: "Vamos ver!".

Sofia Santana