O Presidente da República anunciou esta quinta-feira que as eleições legislativas vão decorrer no dia 30 de janeiro do próximo ano. Assim sendo, estão também já definidas as datas para apresentação das listas dos candidatos a deputados, dos debates audiovisuais e da própria campanha.

O processo eleitoral terá início a 19 de dezembro com a apresentação das coligações, caso existam.

Segue-se, a entrega das listas dos candidatos a deputados no dia 20 de dezembro.

Já a campanha eleitoral vai decorrer entre os dias 16 e 28 de janeiro, a 24 horas da antevéspera do dia designado para as eleições.

Os debates televisivos terão então de acontecer entre o dia 2 e 15 de janeiro, ou seja, após o Ano Novo e antes do início da campanha eleitoral. Uma das preocupações referidas por Marcelo Rebelo de Sousa durante o discurso ao país. O Presidente opôs-se a que os debates audiovisuais coincidissem com a época natalícia.

A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa permite que o PSD defina a disputa interna que deverá ficar sanada no Conselho Nacional do Partido, marcado para dia 4 de dezembro. O líder social-democrata terá então 16 dias para formar e entregar a lista da candidatura às legislativas.

Os dois candidatos até agora anunciados à presidência do PSD, o atual presidente, Rui Rio, e o eurodeputado Paulo Rangel, queriam calendários distintos para as legislativas: Rio defendeu em Belém que deviam ser em 09 ou 16 de janeiro e Rangel afirmou, em conferência de imprensa, ter preferência por 20 ou 27 de fevereiro.

VEJA TAMBÉM: "MUDEI DE CAPÍTULO". RUI RIO REAGE À DATA ESCOLHIDA POR MARCELO PARA AS ELEIÇÕES

Além do PSD, também o CDS-PP tinha um Congresso eletivo marcado para fim de novembro, com dois candidatos anunciados à liderança, o atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, e o eurodeputado Nuno Melo, mas aprovou em Conselho Nacional na semana passada o seu adiamento para depois das legislativas, numa reunião polémica e contestada formalmente e que já levou a várias desfiliações no partido.

O Chega tem eleições diretas marcadas para 06 de novembro (disputadas entre o atual presidente André Ventura e Carlos Natal), seguidas de congresso no final do mês, e a Iniciativa Liberal deverá realizar a sua Convenção Nacional eletiva em 11 e 12 de dezembro.

VEJA TAMBÉM: CANDIDATURA DE NUNO MELO ACUSA DIREÇÃO DO CDS-PP DE QUERER “DESVIAR AS ATENÇÕES”

Sobre a escolha da data, Marcelo Rebelo de Sousa mencionou a necessidade de "sensatez", afirmando que a realização de debates na época de Natal e do Ano Novo poderiam contribuir para a abstenção.

Sabemos todos que campanha eleitoral, bem como os debates que a devem anteceder, realizados no Natal, o primeiro Natal depois daquele que em boa verdade não tivemos, ou pelo Ano Novo, são, a todos os títulos, indesejáveis, e podem ser meio caminho andado para um aumento da abstenção", referiu.

Nuno Mandeiro / NM