O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, deixou duras críticas ao PSD e CDS, esta terça-feira, afirmando que estes partidos “prometem sol na eira e chuva no nabal”, mas é no “ataque pessoal e na calúnia” que “verdadeiramente” se distinguem. Num comício com casa cheia, em Aveiro, António Costa também discursou, reforçando os apelos ao voto. O líder do PS avisou os apoiantes que se estes fizerem contas com base nas sondagens arriscam ter uma “surpresa desagradável”.

Perante centenas de apoiantes que encheram o auditório do Centro de Congressos de Aveiro, Vieira da Silva, que anunciou há meses a retirada da vida política ativa, acusou a direita de "erguer a voz com mais pujança" no "ataque pessoal e na calúnia".

Hoje PSD e CDS prometem sol na eira e chuva no nabal, mas onde erguem a voz com mais pujança, com mais convicção, verdadeiramente, é na única linha politica que os distingue nesta campanha, é no ataque pessoal e na calúnia.".

O governante socialista declarou que esta “política da calúnia” da direita “não é de hoje”, lembrando que o eurodeputado do PSD Paulo Rangel chegou a pedir a demissão de Mário Centeno, alegando que o ministro das Finanças estaria “fragilizado entre os seus pares”, e que depois Portugal saiu do Procedimento Por Défice Excessivo e, mais tarde, Centeno até foi liderar o Eurogrupo.

A política da calúnia não compensa para Portugal e não compensa para os portugueses”, frisou Vieira da Silva.

Mais, o socialista considerou que os partidos dirigidos por Rui Rio e Assunção Cristas “não tem nada de novo a propor aos portugueses” e que “reeditam as velhas promessas” de baixar os impostos que, afirmou, acabam sempre em “choque fiscal”.

E continuou com as críticas, recordando o corte de 600 milhões de euros nas pensões que PSD e CDS propunham há quatro anos.

Onde está esse corte de 600 milhões? Já não é preciso? Se o escondem estão a mentir aos portugueses, se acham que já não é preciso estão a fazer o maior elogio ao PS”, frisou

Por outro lado, num recado para a esquerda, o governante advertiu que Portugal não pode estar na União Europeia “com um pé dentro e um pé fora”.

Portugal não pode estar na União Europeia com um pé dentro e um pé fora, tem de estar com os dois pés dentro. (…) Sabemos e assumimos que o nosso lugar é plenamente na Europa e na zona euro", vincou.

 "Sabemos o quanto custa abandonar a Europa com promessas falsas e quanta crise se gera na união que se trabalhou para construir”, acrescentou.

A questão europeia foi também sublinhada por António Costa, na intervenção que terminou este comício. O secretário-geral socialista afirmou que “há quatro anos” todos “batiam no PS”, mas que o Governo mostrou que era possível “estar no euro, na Europa e virar a página da austeridade”.

Há quatro anos todos nos batiam, uns diziam ‘só nos libertarmos da austeridade, rasgando o euro ou saindo da União Europeia'; outros diziam que com essa conversa nos iam pôr fora do euro ou da União Europeia. Pois estavam todos errados, estamos no euro, na Europa e viramos a pagina da austeridade”, frisou.

Noutro momento do discurso, muito aplaudido pelos apoiantes, Costa acusou o PSD de querer entregar a gestão das unidades de saúde familiares ao privado.

O que eles propõem mesmo fazer é abrir à gestão privada os centros de saúde, PPS nos centros da saúde."

Como tem feito noutros comícios, o líder do PS elencou a obra feita ao longo da legislatura, frisando que o Governo devolveu a “confiança” e a “esperança” aos portugueses.

E com as sondagens a dar a vitória ao PS, mas longe da maioria absoluta, o secretário-geral socialista tem repetido o os apelos ao voto. Até porque quer evitar uma “surpresa desagradável” no dia seguinte ao domingo de 6 de outubro.

No dia das eleições não há sondagens, há votos. Não se ponham a fazer contas com base nas sondagens porque arriscam-se a acordar no outro dia de manhã com uma surpresa desagradável”, concluiu.