António Costa saiu à rua em campanha em Moscavide e ouviu queixas sobre os elevados valores das rendas. A crise na habitação tem estado presente nos discursos do secretário-geral socialista e, esta quinta-feira, ganhou vozes numa arruada nesta freguesia de Loures, que faz fronteira com Lisboa. No final desta ação de campanha, e confrontado pelos jornalistas, o líder do PS reagiu às notícias sobre Tancos que envolvem Marcelo Rebelo de Sousa: “o Presidente da República está acima de qualquer suspeita”.

A minha renda aumentou para o dobro, para o dobro. Eu, eu não voto em nenhum...”

As palavras são de uma idosa que, já no final da arruada do PS em Moscavide, olhava com ar crítico a caravana socialista, comentando com outras mulheres.

Não era a primeira vez esta manhã que se ouviam queixas sobre o problema da habitação. Já antes, um idoso tinha-se dirigido a Costa para falar sobre as rendas elevadas.

Na rua, os problemas ganham rostos concretos. Como o de uma mulher que fez questão de abordar o líder socialista e primeiro-ministro por causa da sua reforma.

Há dois anos que meti o papel para a reforma. Tenho 68 anos. Já lá fui montes de vezes”, desabafou.

A Avenida de Moscavide estava cheia de populares e entre estes, muitos idosos, quando por ali passou a caravana socialista. Uma banda filarmónica marcava o ritmo da arruada, enquanto se distribuíam rosas vermelhas e panfletos. Os olhares mais curiosos saíam às varandas ou espreitavam às janelas. Os comerciantes paravam, por momentos, o negócio.

Costa teve ao seu lado Eduardo Ferro Rodrigues, bem como os candidatos a deputados por Lisboa Edite Estrela, Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves.

E tal como já tinha acontecido em Espinho, no domingo, o secretário-geral socialista mostrou-se muito comunicativo com os populares. Foi distribuindo cumprimentos, posando para fotografias, entrando nas lojas e nos cafés.

“É o PS, é o partido dos ciganos”, exclamam, a um dado momento um grupo de mulheres ciganas na rua.

E por que que o PS é o partido dos ciganos? “Olhe nós falamos uns com os outros e sabemos que somos todos do PS. Nós somos pobres, o PS defende a cultura cigana e os outros são contra os ciganos. O Ventura é contra os ciganos”, explica Vitória, uma dessas mulheres, de 58 anos, que reside ali bem perto, nos Olivais, e que critica o discurso de André Ventura, o líder do partido Chega.

A ação de campanha começou depois das 10:00 da manhã e prolongou-se um pouco para lá das 11:00.

No final, Costa foi questionado pelos jornalistas sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com o furto em Tancos – a acusação de Azeredo Lopes, antigo ministro da Defesa, já é conhecida – mas este é um assunto que o líder socialista quer fora da campanha.

E quanto às notícias relacionadas com Tancos que envolvem Marcelo Rebelo de Sousa, Costa foi perentório: “Há notícias que não se pode ter em conta nem levar em consideração. (…) O Presidente da República está acima de qualquer suspeita”. 

Sofia Santana